Antes de tudo, vou dedicar esse texto as 41 pessoas que junto a mim, formaram 42 loucos que estiveram a bordo de uma "nave espacial" mais louca ainda na cidade dos ets. Vai pra toda equipe do colégio que confiou em nós, aos meus lindos amigos que ficaram aqui, torcendo por nós. Em especial pra Lú linda, que comemorou por pensamento cada vitória. Sem dúvida nenhuma para a Virgínia, que realmente treina os guerreiros. Pra incentivadora da alma, mamãe que adotou 17 meninos naquele quarto Eliane, o Solivan armado e a Tia Dri do intestino preso, a Irmã Antônia que planta bananeira também. Enfim, vai pro conjunto Canossianas, pra todas as famílias, pra todos os soldados dessa luta.
Faltava menos de um mês e tudo começou a dar errado, disseram que não iríamos, ou que metade iria, que seria cancelado. Mas aconteceu, e nós fomos a conhecida terrinha dos habitantes de outro planeta - Varginha -. Antes de tudo, a ansiedade se fez intensa e não existe palavra para definir a sensação de tudo isso. As 5 horas da manhã, do dia 29 de outubro, partia de Araras um ônibus cheio de jovens com o pensamento a milhões. Deixando para trás família e amigos que choravam por quererem estar juntos. A ida foi calma, conversávamos e riamos, os preguiçosos cochilavam junto com os que teriam os primeiros jogos. Fazíamos planos para o momento certo, cantávamos músicas em vão, e nada nos inquietava.
Chegar na manhã do dia 30, no Campus II de uma Universidade que seria um alojamento foi o "Era uma vez" dessa história, que terminará ao fim desse texto. Tenho a imagem dos colchões sendo carregados, da euforia de todos subindo aquela rampa gigantesca até os quartos, a arrumação rápida das camas, a disputa por quem ficaria de frente com a janela, foi tudo tão marcante como se o simples hábito de abrir os olhos fosse inédito. As 11 horas da manhã, veio o primeiro desafio para as meninas do vôlei. Tão nervosas, cansadas, deixaram que o coração falasse mais alto que a habilidade, e o jogo foi perdido. Nesse mesmo dia, o futsal masculino também foi desafiado, e falhou também. A primeira noite tinha desejo de ser agitada, mas atitude pra ser tranquila.
Cansados, fomos para a abertura dos jogos. Marcada para 20:00 e começando as 21:00. Quase dormindo em pé, depois que o som quebrou, e a Greice falava sozinha para 600 pessoas eufóricas (daqui uns parágrafos vocês saberão quem é Greice, a maldita Greice). Depois de muito torcer pra acontecer, a abertura acabou e retornamos para nosso quarto, que abrigava os confortáveis colchões. Era hora de dormir, de agradecer a Deus a oportunidade de estar ali, de rezar para o jogo que teria amanhã, e pedir para que ele iluminasse quem ficou aqui.
O segundo dia reservava grandes emoções. Acordando cedo, com o astral la em cima, e a expectativa era grande. A rotina matutina era quase sempre a mesma, acordar, relembrar do dia anterior, formar uma fila, tomar café e depois bater bola no pátio do alojamento. Jogos para todas as equipes, por isso não consigo contar os detalhes de alguns, já que não podíamos ver e jogar ao mesmo tempo. O dia começou as 10:00, o vôlei feminino entrava em cena contra o Palomar, uma escola com péssima disciplina e reconheço, bons atletas. Novamente perderam, não só por nervosismo, o adversário tinha certa qualidade. Era a nossa vez, voltamos ao alojamento, almoçamos juntos pela segunda vez, e 12:00 a equipe masculina enfrentava o Engenheiro Juarez Wanderley. Chegar na quadra, ver os adversários de 17 e 18 anos, confesso que gelou o estômago. O juiz apitava o inicio da partida, e acredite, nós botamos pra quebrar. Ponto a ponto, fechando o jogo com dois sets a zero. 25x21 e 25x22. Esse jogo dava o ponto de busca para o lugar mais alto do pódio, esse jogo dava aos garotos do interior de São Paulo o incentivo a lutar, gritar, e conseguir vencer os maiores obstáculos. Nesse mesmo dia as duas equipes de futsal também jogaram, e conseguiram a vitória. Não pude acompanhar o jogo, mas sei que foi bonito.
Retornamos mais uma vez ao alojamento (eu sei que essa frase está meio repetitiva, mas preciso falar dessa forma), cansados, tomamos um banho. Ao subir pro quarto, um fato que aconteceria, deixaria uma marca naquele JERP. Tomei meu banho, e deixei minha roupa toda junta, acabei deixando o shorts e a cueca caírem no chão do próprio quarto, quando dei falta peguei o shorts e a cueca acabou "voando" nas mãos da dona Eliane, que segurou e ficou dando risada para minha cara sem que eu percebesse, depois jogou ela em cima da minha mala como se eu não tivesse visto. Ali nascia o apelido de ladra de cuecas, ou Wando 2 ! (Mas atenção, em momento nenhum, isso foi uma atitude de desrespeito hein ! Aos cabeças fechadas, isso não passou de uma brincadeira. Que por sinal gerou risadas até o último dia)
Jantamos, comentamos dos jogos, da força de vontade e começávamos a nos preparar para uma festa, que aconteceria onde estávamos hospedados. A festa apresentava a Banda Elétrica, muito boa por sinal. Fomos até lá, a galera começou a se agitar, Em uma roda, eu ria com a Maria Clara do meu lado, até que resolvemos entrar no meio de todo mundo. Então eu, Timachi, Lucas, Felipe, Rafinha e a Li resolvemos que iríamos aproveitar da melhor forma, nos divertiríamos, já que um pessoal saiu e foi pra baixo no pátio.
Mesmo não estando lá fiquei sabendo que viram um sapo, e até agora fico imaginando o desespero das meninas, em foco a Maria Clara vendo o tal bicho, o bom foi que lá eles fizeram amizade com um pessoal de outra escola. Enquanto isso, lá em cima ao som de Jamil e uma noites, que o Lucas se revelou, extremamente empolgado, cantando tchau, i have to go now. Depois veio Sou praieiro, a música não havia nem começado e junto a mim, o preto começou a fazer a coreografia, o problema é que ficamos feito bobos, no meio de todo mundo, dançando sozinhos. Descíamos até o chão, requebrávamos feito loucos, muito envergonhados, mas não deixávamos de cair no ritmo da música. Nesse mesmo dia, as meninas da sétima deram uma enturmada com a gente. Entraram na nossa roda, Bê, Bruna e Letícia. Ainda lembro dos passos quando "Saia e BicicletinhaBeatrixxxxx, e ela falou: Não, não é Beatriz. Com o som do final do nome dela "reduzindo os s transformados em x". Acabou a festa, e o pessoal que estava comigo ficou sentado mais uns minutos falando mal dos outros, revelando o que pensávamos, retornando ao quarto, no sinal de recolher. Ainda nessa noite, brincamos de mímica no nosso quarto (masculino). Quer dizer, apenas o pessoal que dançou na festa, porque os outros dormiam se preparando para os jogos seguintes. Aquela noite foi mais agitada, com rápidas guerras de travesseiros.
Agora vou falar, um pouco do quarto feminino. As meninas mais lindas desse país, ficaram 3 noites em uma biblioteca. Nesse local rodeado por livros, elas foram dormir 1:30, porque ficaram falando mal de todo mundo, expondo o que cada uma pensa da outra, tiveram que ver o pijama da Irmã Antônia (que eu não vi, mas falaram que é engraçado), tiveram que aguentar a treinadora do Palomar, que ficava ao lado do quarto delas, roncando demaaais. Sofreram também, com o sério problema de gases com o filha da nossa técnica, a Fernanda. Ficaram apavoradas também, ao lembrar das cigarras que jogamos pelo quarto, já que o campus era cheio delas, e por ser hallowen, precisávamos de uma travessura. Naquela biblioteca, o clima estava um pouco tenso, porque a Marina tinha brigado com a Maria Clara por ciúmes, ficou o dia todo sem falar com ela, e uma fazia cara de bosta pra outra. Enfim, são mesmo muitas história. Mas ainda temos mais dois dias pela frente, e a volta pra casa. Até lá.
Beijos de um louco,
Victor
[ CONTINUA ]
eu vou matar vc!!!
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