19 de nov. de 2010

E Se existir o paraíso, eu já passei por ele.

Antes de tudo, eu quero que saibam que eu escrevo esse texto, chorando feito louco, ouvindo El Venão e Tunak Tunak Tun, eu já revi as mesmas fotos milhares de vezes. Eu não consigo parar de pensar nos detalhes minuciosos daquele lugar, eu não consigo fazer minha mente parar de lembrar de cada segundo. Eu não consigo fazer com que meu coração pare de se apertar tanto. Não vou fazer esse igual ao Jerp, e contar tudo o que aconteceu. Foram duas experiências completamente diferentes e incríveis. Mas a sensação de Repúbllica Lago é única, e o que eu falar aqui vai ser como se meu coração falasse.

  Chegar e ver pessoalmente o que tantas vezes eu havia visto por fotos arrepiou a nuca. Caminhar por um espaço onde o tempo passa rápido e devagar, olhar cada sorriso, cada face expressando ansiedade, vontade de gritar, olhos brilhando. Repúbllica Lago é sinônimo de amor, é sinônimo de afeto. Eu sei que nunca mais voltaremos lá e faremos como tudo foi feito, mas uma outra parte de mim se recusa a saber disso, parece que logo os melhores monitores estarão aqui, chamando a gente, apressando, parece que o sol que bate na minha janela veio depois de uma forte chuva e que todos juntos estamos correndo para o lago. Estamos ouvindo pelas caixas de som: Atenção, atenção galera do Canossianas, vocês são os primeiros no Banana Boat. Parece que cada árvore ali, foi plantada e pensada no lugar que nasceria, parece que cada bolinha de gude no chão foi colocada com muito carinho, com perfeição e não só por enfeite. Não pode acabar assim, não. Parece que passamos daquele portão de ferro e a mala veio mais pesada, trouxemos um pouco de cada sorriso, um pouco de cada olhar, cada jeito. Parece que lá, ficamos quatro dias voados, e chegar em casa parece que ficamos uma eternidade fora. Nos desligamos de tudo, e só queríamos viver. Viver sem compromisso, vontade de estar junto, de grudar e não soltar mais, de apertar e só apertar cada um de vocês.
  Ninguém imaginou que tudo seria tão intenso quanto foi. Sabíamos que seria maravilhoso, mas nunca soubemos o quão perfeito é. Aprendemos que razão e emoção tem a mesma força, afinal eu sei que já acabou. Mas meu coração sente a presença dos monitores, e agora mesmo falando deles, eu vejo a imagem, eu ouço a voz, eu vejo as expressões, eu tento sentir os pensamentos, e entender porque tivemos uma relação de pessoas que se conheciam a anos. O corpo cansado queria parar, mas novamente a emoção falava mais alto, e todos se sentiam na obrigação de dançar repetidamente, sem reclamar e sem enjoar El venão e Tunak tunak. Apesar não querer citar todos os momentos, já que eles não tem a mesma graça quando são escritos, e só vão entender o que eu falo quem viveu aquilo, eu preciso falar de uma noite, uma lua no céu, uma lona na grama, uma fogueira no meio e ao redor muitos jovens chorando. A Fogueira da Amizade, foi uma das coisas mais lindas que eu vivi em todo o tempo até hoje que estou nesse mundo. Sentir cada abraço, ficar em silêncio e ter ali quem você ama, quem você quer pra sempre contigo, ou até mesmo ficar parado, olhando uma turma que esteve anos com você. São Vicente, Araras, Dourado e Ribeirão, pareciam ser uma única alma, e dezenas de agradecimentos eram uma única voz: REP  LAGO!
  Uma sensação de missão cumprida fica guardada, mas a vontade de quero mais é inevitável. E não é querer mais apenas por ser bom. É querer mais, por ter do lado quem amamos, é querer is pra pular mais alto, pra gritar mais. Ouvimos tantas vezes no refeitório, o quanto especial foi a turma de 2010. Ouvimos na porta do chalé (Chalé Arara), que um feijão seria plantado ali, que o amor que tivemos nunca morreria, que o solo ali é fértil, aquele solo tem carinho. Cantar as musicas que eram tocadas, realizar as brincadeiras feitas ao redor da fonte aperta ainda mais a saudade. Já falei várias vezes nesse texto e ainda preciso repetir, falar desses momentos, tenho a imagem, a feição, cada detalhe do rosto de todos os monitores. Aquele lugar é o paraíso. Não só pela beleza do imenso lago, de cada nascer e pôr de sol, de cada verde, cada flor, mas pela energia, pela vibração, pelos sentimentos despertados, por cada aprendizado. Aquele lugar não deixa com que o mal humor passe pelos portões, aquele lugar proíbe tristeza e que fiquem parados. Parece que o ar lá é mais puro, que o chão é macio, que o verde é mais verde, que os sorrisos valem mais que o dinheiro, parece que a chuva não traz preguiça, que quando sai sol, ele brilha como nunca, parece que as aves olham para você como se desejassem bons momentos, parece que a água é mais doce, que o céu é sempre lindo, que as paredes dos chalés, mesmo simples, são marcadas por histórias e mais histórias. Ali, ninguém tem e enfrenta problemas. Aprendemos que a vida é algo sem sentido, mas que no fim tudo valerá a pena, aprendemos que não existem defeitos em ninguém e sim diferenças, aprendemos a confiar mais, a esquecer os problemas e esquecer o passado que não vale a pena lembrar, aprendemos a compreender, nos admiramos ao ver a superação, a ver que uma pessoa em uma cadeira de rodas, pode tudo que podemos, entendemos as fotos como lembranças congeladas, conseguimos ver o outro lado da moeda, e aceitamos que a vida é uma estação de trem. Feita de embarques, desembarques, freadas desesperadas, vistas e paisagens bonitas. Sentimos que o vento trás boas recordações, que as palavras são como se a alma falasse, que o silêncio grita, que a saudade dói, dói muito, mas é linda. A saudade, marca que valeu a pena, cada segundo, marca que não é o fim, que aquele episódio acaba, mas essa novela não tem fim, talvez o próximo capítulo não continue de onde paramos, mas ele virá. Tenho esperança e convicção disso, aprendemos que não existe melhor remédio para o tédio do que a união, aprendemos que a vida não para, e nós somos um bando de loucos, querendo sempre mais e mais.
  Choro de saudades, de orgulho, de vontade, de sentir. Entrar no ônibus, deu a pior sensação de todas. Parecia que o sonho acabou, que era o fim de uma jornada, e as lágrimas presas nos meus olhos decidiram cair. Não estamos mais lá, de carne e osso. Mas temos certeza que deixamos o nosso jeito, nossos olhares, o lado cativante, a união, deixamos lá um pouco do pessoal do Canossa, e sabemos que como nós, os monitores também lembraram dessa turma, que onde passava animava e gritava, que chorava, que contou 283 dias ou mais, que viveu 4 como se fossem meses, temos a impressão que Deus guardou tudo isso, para 48/49 pessoas, como se elas merecessem mais do que ninguém, parece que cada chuva, cada momento interrompido, foi intencional, para que no fim tudo fosse melhor, fosse retribuído em dobro. Sabemos que outros virão, e dirão ser melhores, sabemos que farão tudo que fizemos, mas sabemos que nunca serão como nós, jamais. Nós sim, sempre seremos. Passe o tempo que passar, o que o destino fazer ou não, sozinhos ou unidos, iremos lembrar de 4 dias, que foram vividos com a maior intensidade possível, passe o tempo que passar, iremos contar aos nosso filhos que já fomos ao paraíso, e que ele tem uma trilha cheia de lama, que a primeira impressão é nojenta, mas que você esquece o barro e por trás dele visualiza apenas olhos cintilantes e sorrisos de orelha a orelha, cotarei aos meus filhos que vivam seus amigos, que evitem discutir com eles, mas isso vai acontecer, e quando chegar a hora que se levantem juntos, como eu sempre fiz com os meus. Saímos de lá, e sabemos o que trouxemos e o que deixamos. Nada pode apagar o que o destino fez questão de construir. Obrigado.

Finalizando esse texto, eu quero agradecer a todas as pessoas, aos meus amigos, ao pessoal das outras escolas em especial de São Vicente, quero agradecer aos monitores, coordenadores e todo pessoal que ajuda a Rep, que fizeram os 4 dias, os melhores das vidas de muitas pessoas. Quero pedir a Deus que ele ilumine o caminho de cada um, que cuide, que a vida siga em frente, porque a lembrança é única. Construímos juntos, mais um tijolo, e no fim da jornada teremos um castelo. Mas esse tijolo, estará acima de todos, no ponto mais alto, onde todos possam ver. Isso é orgulho, amor, respeito, isso é REPÚBLLICA LAGO.

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