O sol nascia ! Acho que nem mesmo Deus, imaginaria que esse terceiro dia reservava as maiores emoções de todo o campeonato. Antes de fazer o cronograma do dia, vamos fazer uma retrospectiva rápida, para que os fatos não fiquem em vão. O futsal masculino tinha perdido um jogo e ganhado outro, as meninas por sua vez, ganhado os dois. O vôlei masculino tinha vencido seu único jogo e as meninas derrotadas nas duas vezes. As meninas do futsal teriam o jogo que valia ouro, o vôlei masculino tinha dois jogos, o vôlei feminino tinha o último e precisava vencer. Os meninos do futsal tinham que encarar a semi. Quantas coisas não ? Mas, valerá a pena ouvir tantas histórias.
Tomamos nosso café, agora acostumados ao ritmo e sem moleza. Como de costume, 8 horas da matina e nós batendo bola no pátio. O primeiro desafio, seria das meninas. As 10 horas, fomos até o ginásio, e vou falar da torcida, que não pode passar em branco nesse texto. Cada ponto, tinha uma vibração única, cada bola na rede, cada balanço de rede, era fazer com que o ginásio parasse. Era gritar com todas as força, nas horas de incentivo, era acreditar que não existiam pessoas dentro e fora de quadra, sabíamos que juntos formávamos uma equipe, sem sexo, idade ou raça. Gritar tanto, deixou metade dos atletas roucos ou até mesmo sem voz, mérito e orgulho do "Canossa".
Júlia, Letícia, Heloísa, Gabi, Letícia Z, Mariana, Marina, Amanda, Bruna e Verena entravam em quadra, descontraídas, talvez para disfarçar um nervosismo. O jogo delas marcou desentendimentos entre o próprio time, mas elas souberam levantar a cabeça, lutar como verdadeiras guerreiras, e ao fim de um apito, levantaram o troféu mais importante, e colocavam o ouro no pescoço. Aplaudimos com o orgulho e o olhos brilhando. Meio dia, Frei Seráfico desafiava o nosso vôlei masculino. Almoçamos, e falando de mim, eu tinha uma segurança gigante, eu esperava a hora de chegar naquele ginásio, de jogar, de comemorar. Entrávamos no ônibus, veículo do Claudião que transportava os guerreiros. Toda vez, eu tinha o meu ritual pessoal. Sentava na janela, ficava olhando o céu, olhando cada árvore, rezando, me concentrando.
Entrar na FUVAE (quadra dos jogos de vôlei), despertou os risinhos da equipe adversária, já que, eles tinham quase 1,90 cm, e o nosso time não passava de 1,70 cm. A primeira vitória deu o incentivo de muita força, e nós confiamos. Meu coração batia forte o tempo todo, mas eu estava feliz. Nesse jogo, me senti confiante fazendo pontos de saque, me sentia forte ao ver os 5 "gigantes" que lutavam comigo. Com toda garra, completamos 2 sets a 0. Retornar ao centro da quadra, cumprimentar os adversários, foi inesquecível. Quem poderia tirar onda com a nossa cara agora ? Fomos avisados, 7 horas do noite, o último desafio: Colégio Modelo de Nova Friburgo - RJ. Aquele jogo trouxe a tona o nosso lema: "il il il, segura o infantil!" Ninguém esquecerá o Rafinha, menor de todos, sacando por cima, fazendo ace, e por estratégia, deixar no chão um bloqueio que dava 3 dele.
Mas o maior desafio desse terceiro dia, (fora os jogos claro, hahaha) foi ter que aguentar Maria Clara e Adriel fazendo as piores piadas, falando as maiores bostas, como por exemplo: Qual dos teletubies é azul ? Como se isso não bastasse, eles nunca mais pararam, literalmente. Irritou demais, porém admito que foi engraçado. (Mesmo assim Adriel neguinho, a Maria é MINHA tá, e da Lú também). Voltamos pro quarto, naquele dia o intestino dos nossos companheiros resolveu danificar a estrutura do alojamento. O Paganotti chupa uma bala, já precisa ir ao banheiro ou poluir o ar, o Bruno não muito bem, resolveu tomar LactoPurga. Adivinhem no que tudo isso resultou ? Os dois únicos vasos sanitários do banheiro de cima interditados! Isso mesmo, tinha um aviso nas duas portas: "Vaso sanitário interditado, favor não usar". O Paganotti tem realmente problemas na parte de higiene. Ficar dois dias com a mesma cueca, tomar banho e colocar a mesma roupa, pra colaborar entupir o banheiro. Boa.
A tarde no alojamento serviu para fazer novas amizades, e reconhecer que existem pessoas com bom caráter. Atravessando o "refeitório", tinha-se uma quadra de vôlei, e ali reencontramos nossos primeiros adversário, o pessoal do Juarez, derrotados por 2X0 no vôlei masculino. Reunimos Canossa e Juarez em times mistos, conversamos, elogiamos uns os outros, debatemos o jogo e os próximos adversários. Conheci pessoas simpáticas. São tais pessoas, que eu trouxe na mala de volta, com uma recordação de carinho. Depois do vôlei, o quarto dos meninos acabava com balas, chicletes e pirulitos que a Li levou. Acreditem, eram muitos doces mesmo! Acho que eu e o Felipes chupamos uns 7 pirulitos por dia (sem malícia tá gente), era papel de bala pra todo lado. Naquela tarde ficamos sem banho, afinal as 7 horas, teríamos nossa final contra o pessoal do Modelo, antes do nosso jogo teríamos Frei Seráfico contra as meninas do vôlei, e depois a semi final do futsal masculino.
Mais uma vez, pisávamos no chão da quadra FUVAE, ao chegar lá, presenciamos o jogo de Palomar X Nazaré. As meninas do Nazaré eram lindas, simpáticas e além de tudo, jogavam porque gostavam. Gritavam feito doidas, ainda nesse dia o grito de guerra que pegou foi: "Abram passagens que o terror chegouu, Nazaré dextruidooorCanossa e Nazaré, contra Frei Seráfico. A torcida do Frei era grande, com um pessoal de 18 anos, mas nós éramos unidos. Outro fato importante, que vocês saberão os detalhes no fim do terceiro dia, foi a aposta. Aposta desgraçada. Sentados eu, Felipe e Timachi, apostamos que se o time fosse campeão, eu e o preto dançaríamos de cueca, na madrugada do nosso quarto, mas essa é outra parte da história... Enquanto isso as meninas estavam em quadra, precisavam ganhar de qualquer jeito. Nós vencemos um set, elas venceram outro. O 1x1 levava ao tae break, e que tae break! O Frei saiu na frente em disparada. 6x2. E adivinhem ? Nós chegamos lá, a disputa ficava ponto a ponto, 11x11, 12x12, 13x13 e foi assim até o 15x15, quando o ponto foi nosso, e a Isa foi pro saque, ela que tem um excelente potencial nesse fundamento, mas vinha errando muito nos jogos. O juiz deu permissão, tenho na memória a expressão dela, quicando a bola, lançando e mandando ela na quadra adversária, ace. Fim de jogo. Lá fora, eu estava tão ansioso quanto elas ali, era uma disputa intensa, que no fim derramou lágrima de orgulho. Pronto, o bronze era delas ! Nesse jogo, eu realmente vi que elas gostavam de jogar, e faziam por amor.Eu vi que elas mereciam muito mais que qualquer outra, vi que elas podiam discutir mas se amavam, cada uma com seu jeito. Elas colocavam no peito, a mais inferior das medalhas, mas ela foi tão intensa que nunca brilhou tanto. Foi lindo!
Lá fora, o nosso time masculino aquecia, ao mesmo tempo encarava os olhares sarristas do pessoal do Modelo, que estava em uma rodinha ao nosso lado. Entramos em quadra, palavras de apoio e incentivo tomavam conta da equipe, a Virgínia reuniu todo mundo e disse que já havíamos enfrentados diversos desafios, aquele era o último, aquela era a hora. Talvez aquele time (fora o nosso, como diz a Adriana) fosse o mais forte, eles já tinham jogadas e esquemas, tinham tática e força ao mesmo tempo, e sabiam usar tudo o que tinham. Isso deu o primeiro set para eles. Eu olhava o pessoal, via desespero, ânimo, coragem, força e tudo que representa a força de vontade. Fomos para o segundo set, era ganhar ou ganhar, afinal nada estava garantido. O time acordou no geral, cada ponto era uma vibração estérica, uma união que eu nunca tinha visto antes. Ponto a ponto, o segundo set era fechado por nós, e para completar o meu estado tenso, viria o terceiro e último set. Voltei ao time, o jogo era até 15, logo no saque conseguimos vantagem, mas nada tirava minha concentração, e nem 6 pontos de vantagem demonstravam que havia algo garantido. Não lembro com exatidão o placar, mas lembro quando fui para o saque, talvez uma das coisas que eu mais goste de fazer, porém, tinha errado alguns nos outros sets. Lembro de ouvir a voz da Maria, bem no fundo, dizendo: Vai Victor, eu te amo! Respirei fundo, fechei os olhos, esperei o apito e fui. Era o 10º ponto do time, e o meu primeiro de saque. Depois dele, fui até os 13, tinha pego auto-confiança e muita felicidade. Erramos, ponto pro Modelo. A vantagem favorecia e muito o nosso time, e o ponto era mais uma vez nosso. 14x8, último saque, Gabriel já estava pronto. Lembro que eu olhei pro chão da quadra, fiquei de cabeça baixa e pensei: "É agora que eu poderei gritar com a consciência limpa." Levantei a cabeça devagar, olhei pra frente e tudo o que eu vi foi a bola caindo. O infantil era ouro ! Toda a energia que eu tinha, ficou fosca, minhas pernas bambas, e de voz rouca, todos faziam esforço pra gritar. Caí no chão, era impossível não se emocionar com os 10 garotos, menores que todos os outros, que mostraram superioridade dentro e fora de quadra. Abracei todo o pessoal que estava lá, apertei bem forte a Maria, e girei com ela no meio da quadra. O Lucas estava emocionado, o Rafinha então, nem se fala. Receber aquele pedaço de metal, pintado de dourado, valia mais que muito dinheiro nesse mundo. Muito mesmo.
Agora vem a parte que mais derramou lágrimas no JERP, mas essas lágrimas eram de tristeza. Agora vem também a Maldita Greice, que eu citei na primeira parte, e disse que na hora certa vocês saberiam quem ela é. Depois do nosso jogo, viria a semi final do futsal masculino. Porém os horários eram muito próximos e havia uma certeza de atraso. Por isso foi avisado a Greice, logo na manhã, que ela modificasse, ou conversasse com o adversário para que nos esperasse. O jogo estava marcado para 20:00 horas. Saímos da FUVAE o mais rápido possível, e chegamos no ginásio 20:45. Desespero total ! Vimos os árbitros sentados, descansando, e a quadra vazia. Ouvimos uma única coisa, que desabou todo mundo: W.O. Pra quem não sabe, derrota por W.O é quando seu time atrasa, excede o tempo e perde a chance de jogar. Olhei no banco, vi o choro mais profundo do Tiaguinho, Bruno, e os que não choravam, ficavam imóveis, ou descontando a raiva na bola. De quem seria a culpa? Onde encontrar uma possível solução? Ela mesmo, Greice. Essa mulher é a coordenadora e responsável pelo JERP. Ela adorava fazer c@**#$ e na hora desaparece. Ela tinha sido avisada e mesmo assim não tomou nenhuma atitude. Fizemos todas as ligações possíveis, e mais tarde Virgínia e Adriana iriam à comissão dos jogos entrar em um acordo. O resto do pessoal iria a pizzaria comemorar o terceiro dia e o campeonato inteiro, já que aquela era a ultima noite de todo mundo junto, ali. O tempo voava, ríamos e ao mesmo tempo morríamos de sono. 41 pessoas na calçada da rua, parando o movimento, com uniforme de jogo, sorriso estampado. Ali, eu ficava vesgo só pra irritar o pessoal, a Li e a Adriana encontraram o cara da farmácia, que vendeu o "remedinho" que elas precisavam, meu pensamento ficava nos momentos que tinha vivido em todos aqueles jogos. Era tarde, voltamos pra nossa casa postiça.
Era o pior horário pra se tomar banho, não por quantidade de pessoas, mas por estado de higiene. O Lucas, tinha posto até pijama, mas insistimos para que ele deixasse de ser o porco da turma. 11:30 da noite, e o time de guerreiros do canossa, tomando banho. Subimos ao quarto, esperando notícias de Virginia e Adriana, sobre a decisão da semi final dos meninos. Mais tarde, elas chegaram, a boa notícia era que eles teriam o jogo, e a má era que ele seria as 8:30 da manhã. Era a última noite, e tínhamos planos de ficar acordado até o dia amanhecer, mas pra eles não dava.
Porém, tinha o pessoal que jogou só vôlei masculino, e não acordaria cedo no dia seguinte. Decidimos que ficaríamos o máximo possível, naquela noite, eu e o preto precisávamos cumprir a aposta que eu citei no 7º parágrafo. Mas antes dela, havia muito tempo pra ficar em vão, então acendemos todos os celulares, em uma rodinha, eu, Felipe, Lucas, Timachi, Rafinha e a Li, passamos a noite conversando. Falamos de falsidade, de escola, de meninas, expomos opiniões, demos risadas, falamos bem e mal, e na simplicidade de tudo isso, esse foi um dos momentos marcantes pra mim. 2:30 da manhã, tinha que ser naquele momento. Todo pessoal já tinha dormido, só nós acordados e ao som de Toxic - Britney Spears, tivemos que dançar de cueca, chupando aqueles pirulitos que sobraram. Não posso entrar em detalhes porque foi combinado, mas naquela noite o Felipe se tornava a putinha preta, e eu o cara da cueca amarela, e da vermelha roubada. Fim daquela noite? Ainda não, Timachi e eu precisamos passar pasta no pessoal, ou não iríamos dormir tranquilos. Depois sim, deitamos, cansados, ouvindo a Eliane roncar, e enfim dormimos.
Mas de novo, logo eu venho com mais emoções, agora não dá ):
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