20 de dez. de 2012

Rema navegante.

  Coloca o barco o mais avante possível. Essa nação já se perdeu fazem tempos. Procura um lugar seguro enquanto sua sanidade ainda está presente. Esse mundo faz-se de ruínas desde quando a máquina tomou lugar nas rotinas daqueles homens que ainda tinham um pingo de honra.
  Não sei lhe dizer o que restou, mas sei que é muito pouco. Se tiver de acabar, que acabe. Mas que o próprio mundo deixe vivo nos escombros aqueles que perpetuam sua espécie com dignidade. Confesso que muitas vezes visualizei os animais domésticos se mostrarem mais amorosos do que os próprios donos. O homem é aquele que corrompe sua própria vida. 
  Somos feitos de carne, ossos e muitos erros. E ainda assim, tenho a minha esperança. Estou certo de que nessa imensidão, em becos pequenos sufocados pelos grotescos edifícios, ainda existem corações apaixonados, lutando para se abrirem. Existem almas assim como a minha, perturbadas pela rotina que foram colocadas, esperando a hora certa de apertar firme a felicidade. Mas enquanto isso ainda não acontece, rema navegante, rema pra ilha da segurança. Física e espiritual. Coloca sua vida em paz consigo mesmo, que bons tempos estão por vir. 
  As cidades ainda tentam engolir os céus, mas a imensidão é maior do que qualquer construção que qualquer homem pode concluir. Enviaram homens para conhecer a lua, e ainda assim a imensidão que engole o mundo, é maior do que qualquer espaçonave.  Confesso que não encontrei a segurança, e duvido muito que possa encontrá-la, mas aos poucos me consolido na esperança. 
  Dilema esse de um náufrago fracassado, exaurido pelas circunstâncias, mas sobrevivente de tudo. De alma, corpo e coração. Somos sobreviventes por aguentar a virilidade dos homens. Na verdade, somos vis. Então, somos reconhecedores de nossa fraqueza. Enfrentemos juntos tantas tempestades em maré aberta que estão por vir, que águas tranquilas nos aguardam logo após estas. Vamos prosseguir, sempre remando, remando... 

18 de dez. de 2012

A cigana.

   Figura deslumbrante que cruzei o olhar. Silenciosa e misteriosa, cuja a'lma parecia gritar. Pés descalços calçados de feridas e a poeira dessa terra, olhos profundos e escuros, trazendo uma postura desconfiada, atenta. Vagava sozinha, não trazia mais nada consigo além do fino vestido bordô sobre o corpo, tão fino, que eu conseguira observar cada curva de seu corpo. 
  Não me movi, nem mesmo tentei nada que pudesse afastá-la. Aos poucos aquela figura tão mística quando  uma mitologia se aproxima. O cabelo era preto e suavemente ondulado que juntamente ao seu traje e ao vento forte, produziam um movimento tênue que se alastrava por todo o corpo, fazendo com que essa parecesse uma sombra, um vulto. Pairando sobre o chão, senti que ela direcionava seu olhar à mim, assim como o meu deveria estar nela. Não consegui desviar. 
  Chegou mais perto, ficamos cara a cara. Questionei o que fazia, e ela sussurrou: "Assumo a condição de vagante neste mundo, assim como toda a humanidade vaga, mas nega até o fim dos tempos". Abaixou sua cabeça, e prosseguiu o caminho. Observei aquele ser até que desaparecesse de minha vista, para nunca mais. 

27 de nov. de 2012

 Voltei. Espera. É impossível voltar a uma coisa nunca deixada. Re-li tudo que deixei, e não me arrependo de tanta idiotice, tanta falta do que fazer, e tanto sentimento. Pude ver de longe, o quanto mudei, mas como sempre fui o que sou hoje (talvez um pouco melhor). Vejamos só, onde vim parar. Ou na verdade, ainda não saí de lugar algum. 
  Não perco o costume, madrugada, isolado do mundo, mente voando e as palavras rolam soltas. Alguém ainda não me abandonou: maldita insegurança. Dizem que defeitos duram somente até o fim da vida. Mas que droga. As ideias não fluem mais como sempre foi, talvez por ter amadurecido essa mente tão ambígua.
Tenho saudade de ser inspirado por mim mesmo, ser movido a sonhos tão distantes, ou até mesmo impossíveis. É meus caros amigos, a realidade é dura. Mas é bom saber que falar comigo mesmo, ainda me faz bem, e como faz. 
 Tenho saudade das manhãs que acordava extasiado de animação, perdendo hora pra começar a correria. Hoje faltam motivos para incentivos. Ah, que coisa mais dramática, palhaçada hein! Pelo menos não mudei tanto assim. Não quero pensar em nada, quero dias longos e preguiçosos, sem pensar no futuro, sem obrigações para serem cumpridas. Quero acordar, ficar de pijama quase o dia todo, reclamar da falta de coisas para fazer, comer, comer, reclamar, comer. E então, dormir mais uma vez.
  Ah rapaz, você já não é mais aquele que sempre pensou ser. Como o mundo me mudou. Logo eu, que sempre julguei tanta mudança. Outrora eu volto, talvez quando descobrir o que realmente nunca muda. Na verdade, me veio na mente agora mesmo, mas tive aquele pequeno apagão, ou o "deu branco" (que por sinal, até isso me irrita). 
  A carne implica em todos os atos dos homens. Isso fugiu completamente do contexto, mas sempre fui desses que tem sua bagunça própria. E começo a pensar, que da minha, só eu entendo. Agora, vou voltar as frustradas tentativas de dormir, pegar no sono, e afins. 

3 de mai. de 2012

  E ao longo da vida, você encontra seu devido forte, seu porto seguro. Agradeço tanto, por ter todos os dias, gente que me faz sorrir. Entre tantas coisas ruins, você é capaz de sorrir, até sem motivos.
  As pessoas se tornam verdadeiras motivações, e metas. É uma questão de honra. O que te faz viver, fora si mesmo, senão a família? E como é bom encontrar segundos de paz ao lado de quem a gente ama. Sentimentos fazem as coisas fluírem melhor, e isso eu posso ter certeza sem nenhum estudo comprovado. É apenas questão de amor, e quando falamos de amor, a ciência não consegue nem chegar perto. Amemos, visto que até onde eu sei, o tempo é curto.
  Eu nem sequer fui muito longe, e já conheci almas das quais eu tenho apenas nojo e pena. Por serem frias, por serem incompreendidas e preenchidas de futilidade. É uma pena que joguem tanta vida fora, pois eu, vou viver a minha. Aprendo cada vez mais, que é preciso força para acreditar em si mesmo, e então poder seguir em frente. Se for destino, acaso ou qualquer crença que possa existir, não importa. É tempo de acontecer, de acreditar, de fazer, e acima de tudo isso, é hora de sentir intensamente.
  Quero ser motivação para alguém. Quero inspirar, quero amar. Faça o dia ter mil cores, mil sabores e mil formas de enxergar tudo aquilo que parece impossível. Apenas uma questão de tempo, de experiência e de necessidade.
  É a complexa felicidade, de intensificar cada dia porém com a saudade dos antigos. De lugares, de pessoas, de sorrisos e palavras. Uma nostalgia preenche meu quarto, a cada música que se inicia, vejo milhares de memórias, e agradeço por ainda existirem. Se tivesse a chance de voltar um único dia, não mudar nada, mas viver pelo menos um segundo, um único segundo que fosse. Vestir uma roupa que eu já nem sei onde está, tomar um rumo que tomei tantas vezes e hoje não mais. Ah, que vida.
  Sobrevivemos a saudade, ou tentamos nos enganar? Confesso que se pudesse voltar eu voltaria, mas se tiver que seguir, eu seguirei. Talvez eu ainda não acordei para o verdadeiro mundo real. Tudo que eu sei, é que ser assim, algumas vezes te faz sofrer, te faz cair mais fácil, mas te faz diferente. É como se eu chorasse, mas ainda acredito que posso sorrir ainda mais forte. É decair com as críticas, os julgamentos, mas não mudar. Porque é a minha essência. Eu sei que a vida trilha seus caminhos, e nós seguiremos o que quisermos, mas um conselho que deixo para aqueles que se interessam, é que saibam realmente amar, que não se importem em sentir cada dia mais, afinal é isso que vai mostrar quem você é.
  Julguem aqueles que me contrapõe. Sejam frios e inconscientes, e a hora que a solidão chegar, muita coisa já foi. Agora vou me deitar, e amanhã é dia de viver.

24 de abr. de 2012

  Peço desculpas pelo nível dramático, depressivo e um tanto quanto sofrido desse texto. Carne maldita, que se come ao poucos pelo tempo, se remoê em incertezas de acertos, e erros complexados. Morre, vive, morre, e vive. Talvez seja um nível complexo de texto, para um autor que está sobrecarregado até de si mesmo. De tanta pressão, de tantos problemas, de sofrimentos, noites mal dormidas e desamores. Cheguemos ao ponto crítico de tudo isso: Me considero um sem sentido nesse mundo.
  Uma tentativa frustrada de buscar um caminho diferente, uma promessa quebrada, uma aposta perdida. Talvez o erro seja tentar encontrar uma solução, ou deixar tudo acontecer. Já viram coisa mais ambígua do que eu mesmo? Não respondam. Penso em fugir de mim mesmo, de cada pensamento, e assim então, poderei fugir para todos os outros.
 Deito pois então, minha cabeça sobre um leito que chamo de morte, mas ainda assim, irei acordar no dia seguinte. Motivos próprios eu não sei, mas talvez não deveria dar mais sofrimento para algumas pessoas em especial, aquela que prefiro não citar aqui.
 Pois então meus caros leitores imaginários, desfigurados e tão sem sentidos como eu, deixo aqui um atestado de óbito de uma alma, de uma filosofia de vida. A carne ainda deve seguir sofrendo. É o que diz o otimismo, mas o que diz a vida, eu já não sei. E aliás, prefiro realmente não saber.
 As chances disso continuar, são grandes, bem grandes. Eu talvez, lamente isso.

20 de fev. de 2012

É saber levar cada dia.

  Preciso aprender a perdoar rapidamente, esquecer as mágoas. Preciso aprender a levar mais em frente,e apagar as inúmeras vezes em que eu fui fraco. Eu nem sei o que pretendo dizer, mas é como se o coração apertasse sem nenhum evidente motivo. Aquela vontade de afundar a cara no travesseiro e ficar ali, estático. Pensando melhor, talvez seja sede de viver, de gritar foda-se, esquecer os livros, os laços, e curtir nem que seja por uma noite curtir um pouco, dessa única vida, que talvez eu tenha. Sinto as palavras que sempre explodiam em meu sangue, sumirem por um instante, seja então, uma mudança rápida porém passageira de comportamento.
  Me questiono, o que há por trás de cada sorriso? De cada uma dessas vidas que correm apressadas nas ruas tomadas pela tecnologia, me pergunto o que se passa dentro de tantos lares nesse inferno de sociedade. Aliás, sociedade que faz questão de te jogar na cara os erros, as decepções.
  Creio por essas e outras, que uma dose de diversão, bem acompanhada de amigos e de muito "foda-se", realmente faz bem para todo mundo. Talvez por questão de auto-estima, aquela história de: "Sai dessa de sofrer em vão, levanta dessa cama, vai sentir a vida la fora, vai entre essas e outra, viver." Pois bem, vá rapaz, vá viver essa vida, que até sei, esse mundo pode ser seu um dia.

15 de jan. de 2012

Vontade de falar alto.

  Vocês já tentaram pensar o que tem por trás de cada um? Eu não estou falando de sentimentos, to tentando fazer com que você pense o que tem por trás daquela pessoa que parece tão triste, ou daquela menina que você chama de "balofa", ou até mesmo pelo garoto que você julga rebelde. Já tentaram entender que alguma coisa fez com que eles ficassem assim? E sabe o que mais me irrita? Vocês tem 5 minutos de "vou ser diferente" e depois tão falando merda nas malditas redes sociais.
  To escrevendo de um jeito diferente, pra fazer com que vocês ao mínimo tentem entender o quanto dói ouvir alguma merda de alguém que não sabe metade do que você passa. Dentro de casa, dentro da sua mente, dentro de si mesmo. Parecemos todos muito fortes não? Porque somos forçados a isso, apenas por isso.
  Qual a graça, agora me digam, o que acrescenta na vida de vocês, serem desse jeito? De verdade? Falta de caráter e de sentimento. Ainda assim vão falar muita merda de mim, mas já ignorei tanto não é mesmo? Pois fiquem tranquilos, um dos meus defeitos é ser rancoroso extremo, então é de se esperar que quando eu conseguir tudo que quero, vou olhar bem na cara de cada um, e dizer: Olha só, o babaca tá aqui.
  Já deixei de acreditar em um mundo melhor faz tempo. Tá na hora de viver, e acreditar no "eu" melhor. Essa porra de sociedade nunca ta nem aí pra o que pensa, o que te machuca, eu só espero ir além de mim. E cá entre nós, superar todos vocês também vai me deixar melhor