30 de nov. de 2010
Para todos aqueles que vivem ao meu redor.
Talvez seja um dos únicos textos, que eu dedique as pessoas que vivem ao meu lado e que eu não fale delas. É sobre mim. Sei que a conivência comigo não é fácil, e por esse e outros mil motivos, minha admiração por vocês (alguns) é imensa. Sei que não só nas segundas, mas em terças, algumas quartas e quase todos os dias da semana. Sei que muitas vezes, meu egoísmo e meu autoritarismo são fúteis e intensos. Sei que demonstro querer ser melhor que os outros, algumas vezes sim, mas não é assim. Talvez, eu dê o meu sangue sempre, onde precisa ou não dele. Talvez eu queira fazer demais, e isso pareça exagero. A questão é, tenho defeitos e reconheço eles. Só peço compreensão. Posso ser tudo isso, mas quando o problema envolve vocês, eu uso garras e dentes, e toda minha compreensão. Só peço isso, por mais difícil que seja viver comigo.
26 de nov. de 2010
Parece que tudo vai se sufocando, mas que as próprias coisas fazem isso. Parece que o mundo pode acabar daqui alguns minutos, e eu preciso fazer algo, como se aos poucos eu perdesse o chão que está sob os meus pés. Parece que a vida fez questão de deixar fortes cicatrizes, mas ao mesmo tempo me ensinou que no fim valerá a pena cada lágrima, ou gota de sangue que eu derramei dando o melhor de mim. Eu aprendi junto com cada um, que enquanto dois estão te levantando, dez já estão na fila pra te derrubar novamente, e que nem sempre eu vou conseguir segurar a barra sozinho. Muitas vezes eu vou cair, vou chorar, me sentir sozinho,mas nada irá adiantar. Ou melhor, cada vez que eu me levantar eu estarei com uma visão nova sobre as pessoas, eu terei mais conhecimento de mim mesmo.
Eu muitas vezes já me achei estranho, já me senti pisoteado, e já me senti amado. Já tentei insistir em pessoas, e depois vi que tudo foi em vão. Tentei compreender mais algumas, e vi que elas não me querem por perto. Tentei me fazer de forte, mas percebi que isso não faz meu estilo. Não posso negar que já tentei também agradar os outros, que já me importei demais com o que falavam sobre mim, e por isso evoluímos.
Alguns defeitos parecem ser vitalícios, e acompanhar cada segundo da vida. Outros parecem ser instantâneos para surgir, como desaparecer. Mas conseguimos entender as coisas, entender tudo, conforme o tempo passa, subimos um degrau de cada vez, chegamos ao topo, transformados. E essa é a vida
Eu muitas vezes já me achei estranho, já me senti pisoteado, e já me senti amado. Já tentei insistir em pessoas, e depois vi que tudo foi em vão. Tentei compreender mais algumas, e vi que elas não me querem por perto. Tentei me fazer de forte, mas percebi que isso não faz meu estilo. Não posso negar que já tentei também agradar os outros, que já me importei demais com o que falavam sobre mim, e por isso evoluímos.
Alguns defeitos parecem ser vitalícios, e acompanhar cada segundo da vida. Outros parecem ser instantâneos para surgir, como desaparecer. Mas conseguimos entender as coisas, entender tudo, conforme o tempo passa, subimos um degrau de cada vez, chegamos ao topo, transformados. E essa é a vida
20 de nov. de 2010
Não tem mais para onde fugir.
Acabei de contar os dias no calendário, e perceber os poucos que restam na escola. Percebi que nesse ano inteiro eu tentei fugir, e disfarçar dizendo que ainda teríamos um bom tempo para aproveitar, e hoje são apenas alguns dias, e menos de três semanas juntos. Não farei um texto gigante dessa vez, sei que ficará para próxima. Que ainda teremos dias que serão melhores, que serão bem aproveitados, e que eu contarei no último texto. Eu dedicarei cada vírgula, cada espaço, cada palavra à todos vocês. Não encontro mais lugar seguro, que possa fugir e esquecer a responsabilidade. Eu preciso levantar a cabeça e esquecer um pouco tudo que o destino está guardando, por isso, está na hora de seguir em frente...
19 de nov. de 2010
E Se existir o paraíso, eu já passei por ele.
Antes de tudo, eu quero que saibam que eu escrevo esse texto, chorando feito louco, ouvindo El Venão e Tunak Tunak Tun, eu já revi as mesmas fotos milhares de vezes. Eu não consigo parar de pensar nos detalhes minuciosos daquele lugar, eu não consigo fazer minha mente parar de lembrar de cada segundo. Eu não consigo fazer com que meu coração pare de se apertar tanto. Não vou fazer esse igual ao Jerp, e contar tudo o que aconteceu. Foram duas experiências completamente diferentes e incríveis. Mas a sensação de Repúbllica Lago é única, e o que eu falar aqui vai ser como se meu coração falasse.
Chegar e ver pessoalmente o que tantas vezes eu havia visto por fotos arrepiou a nuca. Caminhar por um espaço onde o tempo passa rápido e devagar, olhar cada sorriso, cada face expressando ansiedade, vontade de gritar, olhos brilhando. Repúbllica Lago é sinônimo de amor, é sinônimo de afeto. Eu sei que nunca mais voltaremos lá e faremos como tudo foi feito, mas uma outra parte de mim se recusa a saber disso, parece que logo os melhores monitores estarão aqui, chamando a gente, apressando, parece que o sol que bate na minha janela veio depois de uma forte chuva e que todos juntos estamos correndo para o lago. Estamos ouvindo pelas caixas de som: Atenção, atenção galera do Canossianas, vocês são os primeiros no Banana Boat. Parece que cada árvore ali, foi plantada e pensada no lugar que nasceria, parece que cada bolinha de gude no chão foi colocada com muito carinho, com perfeição e não só por enfeite. Não pode acabar assim, não. Parece que passamos daquele portão de ferro e a mala veio mais pesada, trouxemos um pouco de cada sorriso, um pouco de cada olhar, cada jeito. Parece que lá, ficamos quatro dias voados, e chegar em casa parece que ficamos uma eternidade fora. Nos desligamos de tudo, e só queríamos viver. Viver sem compromisso, vontade de estar junto, de grudar e não soltar mais, de apertar e só apertar cada um de vocês.
Ninguém imaginou que tudo seria tão intenso quanto foi. Sabíamos que seria maravilhoso, mas nunca soubemos o quão perfeito é. Aprendemos que razão e emoção tem a mesma força, afinal eu sei que já acabou. Mas meu coração sente a presença dos monitores, e agora mesmo falando deles, eu vejo a imagem, eu ouço a voz, eu vejo as expressões, eu tento sentir os pensamentos, e entender porque tivemos uma relação de pessoas que se conheciam a anos. O corpo cansado queria parar, mas novamente a emoção falava mais alto, e todos se sentiam na obrigação de dançar repetidamente, sem reclamar e sem enjoar El venão e Tunak tunak. Apesar não querer citar todos os momentos, já que eles não tem a mesma graça quando são escritos, e só vão entender o que eu falo quem viveu aquilo, eu preciso falar de uma noite, uma lua no céu, uma lona na grama, uma fogueira no meio e ao redor muitos jovens chorando. A Fogueira da Amizade, foi uma das coisas mais lindas que eu vivi em todo o tempo até hoje que estou nesse mundo. Sentir cada abraço, ficar em silêncio e ter ali quem você ama, quem você quer pra sempre contigo, ou até mesmo ficar parado, olhando uma turma que esteve anos com você. São Vicente, Araras, Dourado e Ribeirão, pareciam ser uma única alma, e dezenas de agradecimentos eram uma única voz: REP LAGO!
Uma sensação de missão cumprida fica guardada, mas a vontade de quero mais é inevitável. E não é querer mais apenas por ser bom. É querer mais, por ter do lado quem amamos, é querer is pra pular mais alto, pra gritar mais. Ouvimos tantas vezes no refeitório, o quanto especial foi a turma de 2010. Ouvimos na porta do chalé (Chalé Arara), que um feijão seria plantado ali, que o amor que tivemos nunca morreria, que o solo ali é fértil, aquele solo tem carinho. Cantar as musicas que eram tocadas, realizar as brincadeiras feitas ao redor da fonte aperta ainda mais a saudade. Já falei várias vezes nesse texto e ainda preciso repetir, falar desses momentos, tenho a imagem, a feição, cada detalhe do rosto de todos os monitores. Aquele lugar é o paraíso. Não só pela beleza do imenso lago, de cada nascer e pôr de sol, de cada verde, cada flor, mas pela energia, pela vibração, pelos sentimentos despertados, por cada aprendizado. Aquele lugar não deixa com que o mal humor passe pelos portões, aquele lugar proíbe tristeza e que fiquem parados. Parece que o ar lá é mais puro, que o chão é macio, que o verde é mais verde, que os sorrisos valem mais que o dinheiro, parece que a chuva não traz preguiça, que quando sai sol, ele brilha como nunca, parece que as aves olham para você como se desejassem bons momentos, parece que a água é mais doce, que o céu é sempre lindo, que as paredes dos chalés, mesmo simples, são marcadas por histórias e mais histórias. Ali, ninguém tem e enfrenta problemas. Aprendemos que a vida é algo sem sentido, mas que no fim tudo valerá a pena, aprendemos que não existem defeitos em ninguém e sim diferenças, aprendemos a confiar mais, a esquecer os problemas e esquecer o passado que não vale a pena lembrar, aprendemos a compreender, nos admiramos ao ver a superação, a ver que uma pessoa em uma cadeira de rodas, pode tudo que podemos, entendemos as fotos como lembranças congeladas, conseguimos ver o outro lado da moeda, e aceitamos que a vida é uma estação de trem. Feita de embarques, desembarques, freadas desesperadas, vistas e paisagens bonitas. Sentimos que o vento trás boas recordações, que as palavras são como se a alma falasse, que o silêncio grita, que a saudade dói, dói muito, mas é linda. A saudade, marca que valeu a pena, cada segundo, marca que não é o fim, que aquele episódio acaba, mas essa novela não tem fim, talvez o próximo capítulo não continue de onde paramos, mas ele virá. Tenho esperança e convicção disso, aprendemos que não existe melhor remédio para o tédio do que a união, aprendemos que a vida não para, e nós somos um bando de loucos, querendo sempre mais e mais.
Choro de saudades, de orgulho, de vontade, de sentir. Entrar no ônibus, deu a pior sensação de todas. Parecia que o sonho acabou, que era o fim de uma jornada, e as lágrimas presas nos meus olhos decidiram cair. Não estamos mais lá, de carne e osso. Mas temos certeza que deixamos o nosso jeito, nossos olhares, o lado cativante, a união, deixamos lá um pouco do pessoal do Canossa, e sabemos que como nós, os monitores também lembraram dessa turma, que onde passava animava e gritava, que chorava, que contou 283 dias ou mais, que viveu 4 como se fossem meses, temos a impressão que Deus guardou tudo isso, para 48/49 pessoas, como se elas merecessem mais do que ninguém, parece que cada chuva, cada momento interrompido, foi intencional, para que no fim tudo fosse melhor, fosse retribuído em dobro. Sabemos que outros virão, e dirão ser melhores, sabemos que farão tudo que fizemos, mas sabemos que nunca serão como nós, jamais. Nós sim, sempre seremos. Passe o tempo que passar, o que o destino fazer ou não, sozinhos ou unidos, iremos lembrar de 4 dias, que foram vividos com a maior intensidade possível, passe o tempo que passar, iremos contar aos nosso filhos que já fomos ao paraíso, e que ele tem uma trilha cheia de lama, que a primeira impressão é nojenta, mas que você esquece o barro e por trás dele visualiza apenas olhos cintilantes e sorrisos de orelha a orelha, cotarei aos meus filhos que vivam seus amigos, que evitem discutir com eles, mas isso vai acontecer, e quando chegar a hora que se levantem juntos, como eu sempre fiz com os meus. Saímos de lá, e sabemos o que trouxemos e o que deixamos. Nada pode apagar o que o destino fez questão de construir. Obrigado.
Finalizando esse texto, eu quero agradecer a todas as pessoas, aos meus amigos, ao pessoal das outras escolas em especial de São Vicente, quero agradecer aos monitores, coordenadores e todo pessoal que ajuda a Rep, que fizeram os 4 dias, os melhores das vidas de muitas pessoas. Quero pedir a Deus que ele ilumine o caminho de cada um, que cuide, que a vida siga em frente, porque a lembrança é única. Construímos juntos, mais um tijolo, e no fim da jornada teremos um castelo. Mas esse tijolo, estará acima de todos, no ponto mais alto, onde todos possam ver. Isso é orgulho, amor, respeito, isso é REPÚBLLICA LAGO.
Chegar e ver pessoalmente o que tantas vezes eu havia visto por fotos arrepiou a nuca. Caminhar por um espaço onde o tempo passa rápido e devagar, olhar cada sorriso, cada face expressando ansiedade, vontade de gritar, olhos brilhando. Repúbllica Lago é sinônimo de amor, é sinônimo de afeto. Eu sei que nunca mais voltaremos lá e faremos como tudo foi feito, mas uma outra parte de mim se recusa a saber disso, parece que logo os melhores monitores estarão aqui, chamando a gente, apressando, parece que o sol que bate na minha janela veio depois de uma forte chuva e que todos juntos estamos correndo para o lago. Estamos ouvindo pelas caixas de som: Atenção, atenção galera do Canossianas, vocês são os primeiros no Banana Boat. Parece que cada árvore ali, foi plantada e pensada no lugar que nasceria, parece que cada bolinha de gude no chão foi colocada com muito carinho, com perfeição e não só por enfeite. Não pode acabar assim, não. Parece que passamos daquele portão de ferro e a mala veio mais pesada, trouxemos um pouco de cada sorriso, um pouco de cada olhar, cada jeito. Parece que lá, ficamos quatro dias voados, e chegar em casa parece que ficamos uma eternidade fora. Nos desligamos de tudo, e só queríamos viver. Viver sem compromisso, vontade de estar junto, de grudar e não soltar mais, de apertar e só apertar cada um de vocês.
Ninguém imaginou que tudo seria tão intenso quanto foi. Sabíamos que seria maravilhoso, mas nunca soubemos o quão perfeito é. Aprendemos que razão e emoção tem a mesma força, afinal eu sei que já acabou. Mas meu coração sente a presença dos monitores, e agora mesmo falando deles, eu vejo a imagem, eu ouço a voz, eu vejo as expressões, eu tento sentir os pensamentos, e entender porque tivemos uma relação de pessoas que se conheciam a anos. O corpo cansado queria parar, mas novamente a emoção falava mais alto, e todos se sentiam na obrigação de dançar repetidamente, sem reclamar e sem enjoar El venão e Tunak tunak. Apesar não querer citar todos os momentos, já que eles não tem a mesma graça quando são escritos, e só vão entender o que eu falo quem viveu aquilo, eu preciso falar de uma noite, uma lua no céu, uma lona na grama, uma fogueira no meio e ao redor muitos jovens chorando. A Fogueira da Amizade, foi uma das coisas mais lindas que eu vivi em todo o tempo até hoje que estou nesse mundo. Sentir cada abraço, ficar em silêncio e ter ali quem você ama, quem você quer pra sempre contigo, ou até mesmo ficar parado, olhando uma turma que esteve anos com você. São Vicente, Araras, Dourado e Ribeirão, pareciam ser uma única alma, e dezenas de agradecimentos eram uma única voz: REP LAGO!
Uma sensação de missão cumprida fica guardada, mas a vontade de quero mais é inevitável. E não é querer mais apenas por ser bom. É querer mais, por ter do lado quem amamos, é querer is pra pular mais alto, pra gritar mais. Ouvimos tantas vezes no refeitório, o quanto especial foi a turma de 2010. Ouvimos na porta do chalé (Chalé Arara), que um feijão seria plantado ali, que o amor que tivemos nunca morreria, que o solo ali é fértil, aquele solo tem carinho. Cantar as musicas que eram tocadas, realizar as brincadeiras feitas ao redor da fonte aperta ainda mais a saudade. Já falei várias vezes nesse texto e ainda preciso repetir, falar desses momentos, tenho a imagem, a feição, cada detalhe do rosto de todos os monitores. Aquele lugar é o paraíso. Não só pela beleza do imenso lago, de cada nascer e pôr de sol, de cada verde, cada flor, mas pela energia, pela vibração, pelos sentimentos despertados, por cada aprendizado. Aquele lugar não deixa com que o mal humor passe pelos portões, aquele lugar proíbe tristeza e que fiquem parados. Parece que o ar lá é mais puro, que o chão é macio, que o verde é mais verde, que os sorrisos valem mais que o dinheiro, parece que a chuva não traz preguiça, que quando sai sol, ele brilha como nunca, parece que as aves olham para você como se desejassem bons momentos, parece que a água é mais doce, que o céu é sempre lindo, que as paredes dos chalés, mesmo simples, são marcadas por histórias e mais histórias. Ali, ninguém tem e enfrenta problemas. Aprendemos que a vida é algo sem sentido, mas que no fim tudo valerá a pena, aprendemos que não existem defeitos em ninguém e sim diferenças, aprendemos a confiar mais, a esquecer os problemas e esquecer o passado que não vale a pena lembrar, aprendemos a compreender, nos admiramos ao ver a superação, a ver que uma pessoa em uma cadeira de rodas, pode tudo que podemos, entendemos as fotos como lembranças congeladas, conseguimos ver o outro lado da moeda, e aceitamos que a vida é uma estação de trem. Feita de embarques, desembarques, freadas desesperadas, vistas e paisagens bonitas. Sentimos que o vento trás boas recordações, que as palavras são como se a alma falasse, que o silêncio grita, que a saudade dói, dói muito, mas é linda. A saudade, marca que valeu a pena, cada segundo, marca que não é o fim, que aquele episódio acaba, mas essa novela não tem fim, talvez o próximo capítulo não continue de onde paramos, mas ele virá. Tenho esperança e convicção disso, aprendemos que não existe melhor remédio para o tédio do que a união, aprendemos que a vida não para, e nós somos um bando de loucos, querendo sempre mais e mais.
Choro de saudades, de orgulho, de vontade, de sentir. Entrar no ônibus, deu a pior sensação de todas. Parecia que o sonho acabou, que era o fim de uma jornada, e as lágrimas presas nos meus olhos decidiram cair. Não estamos mais lá, de carne e osso. Mas temos certeza que deixamos o nosso jeito, nossos olhares, o lado cativante, a união, deixamos lá um pouco do pessoal do Canossa, e sabemos que como nós, os monitores também lembraram dessa turma, que onde passava animava e gritava, que chorava, que contou 283 dias ou mais, que viveu 4 como se fossem meses, temos a impressão que Deus guardou tudo isso, para 48/49 pessoas, como se elas merecessem mais do que ninguém, parece que cada chuva, cada momento interrompido, foi intencional, para que no fim tudo fosse melhor, fosse retribuído em dobro. Sabemos que outros virão, e dirão ser melhores, sabemos que farão tudo que fizemos, mas sabemos que nunca serão como nós, jamais. Nós sim, sempre seremos. Passe o tempo que passar, o que o destino fazer ou não, sozinhos ou unidos, iremos lembrar de 4 dias, que foram vividos com a maior intensidade possível, passe o tempo que passar, iremos contar aos nosso filhos que já fomos ao paraíso, e que ele tem uma trilha cheia de lama, que a primeira impressão é nojenta, mas que você esquece o barro e por trás dele visualiza apenas olhos cintilantes e sorrisos de orelha a orelha, cotarei aos meus filhos que vivam seus amigos, que evitem discutir com eles, mas isso vai acontecer, e quando chegar a hora que se levantem juntos, como eu sempre fiz com os meus. Saímos de lá, e sabemos o que trouxemos e o que deixamos. Nada pode apagar o que o destino fez questão de construir. Obrigado.
Finalizando esse texto, eu quero agradecer a todas as pessoas, aos meus amigos, ao pessoal das outras escolas em especial de São Vicente, quero agradecer aos monitores, coordenadores e todo pessoal que ajuda a Rep, que fizeram os 4 dias, os melhores das vidas de muitas pessoas. Quero pedir a Deus que ele ilumine o caminho de cada um, que cuide, que a vida siga em frente, porque a lembrança é única. Construímos juntos, mais um tijolo, e no fim da jornada teremos um castelo. Mas esse tijolo, estará acima de todos, no ponto mais alto, onde todos possam ver. Isso é orgulho, amor, respeito, isso é REPÚBLLICA LAGO.
6 de nov. de 2010
JERP - 2010 Parte II (terceiro e quarto dia, volta pra casa)
O sol nascia ! Acho que nem mesmo Deus, imaginaria que esse terceiro dia reservava as maiores emoções de todo o campeonato. Antes de fazer o cronograma do dia, vamos fazer uma retrospectiva rápida, para que os fatos não fiquem em vão. O futsal masculino tinha perdido um jogo e ganhado outro, as meninas por sua vez, ganhado os dois. O vôlei masculino tinha vencido seu único jogo e as meninas derrotadas nas duas vezes. As meninas do futsal teriam o jogo que valia ouro, o vôlei masculino tinha dois jogos, o vôlei feminino tinha o último e precisava vencer. Os meninos do futsal tinham que encarar a semi. Quantas coisas não ? Mas, valerá a pena ouvir tantas histórias.
Tomamos nosso café, agora acostumados ao ritmo e sem moleza. Como de costume, 8 horas da matina e nós batendo bola no pátio. O primeiro desafio, seria das meninas. As 10 horas, fomos até o ginásio, e vou falar da torcida, que não pode passar em branco nesse texto. Cada ponto, tinha uma vibração única, cada bola na rede, cada balanço de rede, era fazer com que o ginásio parasse. Era gritar com todas as força, nas horas de incentivo, era acreditar que não existiam pessoas dentro e fora de quadra, sabíamos que juntos formávamos uma equipe, sem sexo, idade ou raça. Gritar tanto, deixou metade dos atletas roucos ou até mesmo sem voz, mérito e orgulho do "Canossa".
Júlia, Letícia, Heloísa, Gabi, Letícia Z, Mariana, Marina, Amanda, Bruna e Verena entravam em quadra, descontraídas, talvez para disfarçar um nervosismo. O jogo delas marcou desentendimentos entre o próprio time, mas elas souberam levantar a cabeça, lutar como verdadeiras guerreiras, e ao fim de um apito, levantaram o troféu mais importante, e colocavam o ouro no pescoço. Aplaudimos com o orgulho e o olhos brilhando. Meio dia, Frei Seráfico desafiava o nosso vôlei masculino. Almoçamos, e falando de mim, eu tinha uma segurança gigante, eu esperava a hora de chegar naquele ginásio, de jogar, de comemorar. Entrávamos no ônibus, veículo do Claudião que transportava os guerreiros. Toda vez, eu tinha o meu ritual pessoal. Sentava na janela, ficava olhando o céu, olhando cada árvore, rezando, me concentrando.
Entrar na FUVAE (quadra dos jogos de vôlei), despertou os risinhos da equipe adversária, já que, eles tinham quase 1,90 cm, e o nosso time não passava de 1,70 cm. A primeira vitória deu o incentivo de muita força, e nós confiamos. Meu coração batia forte o tempo todo, mas eu estava feliz. Nesse jogo, me senti confiante fazendo pontos de saque, me sentia forte ao ver os 5 "gigantes" que lutavam comigo. Com toda garra, completamos 2 sets a 0. Retornar ao centro da quadra, cumprimentar os adversários, foi inesquecível. Quem poderia tirar onda com a nossa cara agora ? Fomos avisados, 7 horas do noite, o último desafio: Colégio Modelo de Nova Friburgo - RJ. Aquele jogo trouxe a tona o nosso lema: "il il il, segura o infantil!" Ninguém esquecerá o Rafinha, menor de todos, sacando por cima, fazendo ace, e por estratégia, deixar no chão um bloqueio que dava 3 dele.
Mas o maior desafio desse terceiro dia, (fora os jogos claro, hahaha) foi ter que aguentar Maria Clara e Adriel fazendo as piores piadas, falando as maiores bostas, como por exemplo: Qual dos teletubies é azul ? Como se isso não bastasse, eles nunca mais pararam, literalmente. Irritou demais, porém admito que foi engraçado. (Mesmo assim Adriel neguinho, a Maria é MINHA tá, e da Lú também). Voltamos pro quarto, naquele dia o intestino dos nossos companheiros resolveu danificar a estrutura do alojamento. O Paganotti chupa uma bala, já precisa ir ao banheiro ou poluir o ar, o Bruno não muito bem, resolveu tomar LactoPurga. Adivinhem no que tudo isso resultou ? Os dois únicos vasos sanitários do banheiro de cima interditados! Isso mesmo, tinha um aviso nas duas portas: "Vaso sanitário interditado, favor não usar". O Paganotti tem realmente problemas na parte de higiene. Ficar dois dias com a mesma cueca, tomar banho e colocar a mesma roupa, pra colaborar entupir o banheiro. Boa.
A tarde no alojamento serviu para fazer novas amizades, e reconhecer que existem pessoas com bom caráter. Atravessando o "refeitório", tinha-se uma quadra de vôlei, e ali reencontramos nossos primeiros adversário, o pessoal do Juarez, derrotados por 2X0 no vôlei masculino. Reunimos Canossa e Juarez em times mistos, conversamos, elogiamos uns os outros, debatemos o jogo e os próximos adversários. Conheci pessoas simpáticas. São tais pessoas, que eu trouxe na mala de volta, com uma recordação de carinho. Depois do vôlei, o quarto dos meninos acabava com balas, chicletes e pirulitos que a Li levou. Acreditem, eram muitos doces mesmo! Acho que eu e o Felipes chupamos uns 7 pirulitos por dia (sem malícia tá gente), era papel de bala pra todo lado. Naquela tarde ficamos sem banho, afinal as 7 horas, teríamos nossa final contra o pessoal do Modelo, antes do nosso jogo teríamos Frei Seráfico contra as meninas do vôlei, e depois a semi final do futsal masculino.
Mais uma vez, pisávamos no chão da quadra FUVAE, ao chegar lá, presenciamos o jogo de Palomar X Nazaré. As meninas do Nazaré eram lindas, simpáticas e além de tudo, jogavam porque gostavam. Gritavam feito doidas, ainda nesse dia o grito de guerra que pegou foi: "Abram passagens que o terror chegouu, Nazaré dextruidooorCanossa e Nazaré, contra Frei Seráfico. A torcida do Frei era grande, com um pessoal de 18 anos, mas nós éramos unidos. Outro fato importante, que vocês saberão os detalhes no fim do terceiro dia, foi a aposta. Aposta desgraçada. Sentados eu, Felipe e Timachi, apostamos que se o time fosse campeão, eu e o preto dançaríamos de cueca, na madrugada do nosso quarto, mas essa é outra parte da história... Enquanto isso as meninas estavam em quadra, precisavam ganhar de qualquer jeito. Nós vencemos um set, elas venceram outro. O 1x1 levava ao tae break, e que tae break! O Frei saiu na frente em disparada. 6x2. E adivinhem ? Nós chegamos lá, a disputa ficava ponto a ponto, 11x11, 12x12, 13x13 e foi assim até o 15x15, quando o ponto foi nosso, e a Isa foi pro saque, ela que tem um excelente potencial nesse fundamento, mas vinha errando muito nos jogos. O juiz deu permissão, tenho na memória a expressão dela, quicando a bola, lançando e mandando ela na quadra adversária, ace. Fim de jogo. Lá fora, eu estava tão ansioso quanto elas ali, era uma disputa intensa, que no fim derramou lágrima de orgulho. Pronto, o bronze era delas ! Nesse jogo, eu realmente vi que elas gostavam de jogar, e faziam por amor.Eu vi que elas mereciam muito mais que qualquer outra, vi que elas podiam discutir mas se amavam, cada uma com seu jeito. Elas colocavam no peito, a mais inferior das medalhas, mas ela foi tão intensa que nunca brilhou tanto. Foi lindo!
Lá fora, o nosso time masculino aquecia, ao mesmo tempo encarava os olhares sarristas do pessoal do Modelo, que estava em uma rodinha ao nosso lado. Entramos em quadra, palavras de apoio e incentivo tomavam conta da equipe, a Virgínia reuniu todo mundo e disse que já havíamos enfrentados diversos desafios, aquele era o último, aquela era a hora. Talvez aquele time (fora o nosso, como diz a Adriana) fosse o mais forte, eles já tinham jogadas e esquemas, tinham tática e força ao mesmo tempo, e sabiam usar tudo o que tinham. Isso deu o primeiro set para eles. Eu olhava o pessoal, via desespero, ânimo, coragem, força e tudo que representa a força de vontade. Fomos para o segundo set, era ganhar ou ganhar, afinal nada estava garantido. O time acordou no geral, cada ponto era uma vibração estérica, uma união que eu nunca tinha visto antes. Ponto a ponto, o segundo set era fechado por nós, e para completar o meu estado tenso, viria o terceiro e último set. Voltei ao time, o jogo era até 15, logo no saque conseguimos vantagem, mas nada tirava minha concentração, e nem 6 pontos de vantagem demonstravam que havia algo garantido. Não lembro com exatidão o placar, mas lembro quando fui para o saque, talvez uma das coisas que eu mais goste de fazer, porém, tinha errado alguns nos outros sets. Lembro de ouvir a voz da Maria, bem no fundo, dizendo: Vai Victor, eu te amo! Respirei fundo, fechei os olhos, esperei o apito e fui. Era o 10º ponto do time, e o meu primeiro de saque. Depois dele, fui até os 13, tinha pego auto-confiança e muita felicidade. Erramos, ponto pro Modelo. A vantagem favorecia e muito o nosso time, e o ponto era mais uma vez nosso. 14x8, último saque, Gabriel já estava pronto. Lembro que eu olhei pro chão da quadra, fiquei de cabeça baixa e pensei: "É agora que eu poderei gritar com a consciência limpa." Levantei a cabeça devagar, olhei pra frente e tudo o que eu vi foi a bola caindo. O infantil era ouro ! Toda a energia que eu tinha, ficou fosca, minhas pernas bambas, e de voz rouca, todos faziam esforço pra gritar. Caí no chão, era impossível não se emocionar com os 10 garotos, menores que todos os outros, que mostraram superioridade dentro e fora de quadra. Abracei todo o pessoal que estava lá, apertei bem forte a Maria, e girei com ela no meio da quadra. O Lucas estava emocionado, o Rafinha então, nem se fala. Receber aquele pedaço de metal, pintado de dourado, valia mais que muito dinheiro nesse mundo. Muito mesmo.
Agora vem a parte que mais derramou lágrimas no JERP, mas essas lágrimas eram de tristeza. Agora vem também a Maldita Greice, que eu citei na primeira parte, e disse que na hora certa vocês saberiam quem ela é. Depois do nosso jogo, viria a semi final do futsal masculino. Porém os horários eram muito próximos e havia uma certeza de atraso. Por isso foi avisado a Greice, logo na manhã, que ela modificasse, ou conversasse com o adversário para que nos esperasse. O jogo estava marcado para 20:00 horas. Saímos da FUVAE o mais rápido possível, e chegamos no ginásio 20:45. Desespero total ! Vimos os árbitros sentados, descansando, e a quadra vazia. Ouvimos uma única coisa, que desabou todo mundo: W.O. Pra quem não sabe, derrota por W.O é quando seu time atrasa, excede o tempo e perde a chance de jogar. Olhei no banco, vi o choro mais profundo do Tiaguinho, Bruno, e os que não choravam, ficavam imóveis, ou descontando a raiva na bola. De quem seria a culpa? Onde encontrar uma possível solução? Ela mesmo, Greice. Essa mulher é a coordenadora e responsável pelo JERP. Ela adorava fazer c@**#$ e na hora desaparece. Ela tinha sido avisada e mesmo assim não tomou nenhuma atitude. Fizemos todas as ligações possíveis, e mais tarde Virgínia e Adriana iriam à comissão dos jogos entrar em um acordo. O resto do pessoal iria a pizzaria comemorar o terceiro dia e o campeonato inteiro, já que aquela era a ultima noite de todo mundo junto, ali. O tempo voava, ríamos e ao mesmo tempo morríamos de sono. 41 pessoas na calçada da rua, parando o movimento, com uniforme de jogo, sorriso estampado. Ali, eu ficava vesgo só pra irritar o pessoal, a Li e a Adriana encontraram o cara da farmácia, que vendeu o "remedinho" que elas precisavam, meu pensamento ficava nos momentos que tinha vivido em todos aqueles jogos. Era tarde, voltamos pra nossa casa postiça.
Era o pior horário pra se tomar banho, não por quantidade de pessoas, mas por estado de higiene. O Lucas, tinha posto até pijama, mas insistimos para que ele deixasse de ser o porco da turma. 11:30 da noite, e o time de guerreiros do canossa, tomando banho. Subimos ao quarto, esperando notícias de Virginia e Adriana, sobre a decisão da semi final dos meninos. Mais tarde, elas chegaram, a boa notícia era que eles teriam o jogo, e a má era que ele seria as 8:30 da manhã. Era a última noite, e tínhamos planos de ficar acordado até o dia amanhecer, mas pra eles não dava.
Porém, tinha o pessoal que jogou só vôlei masculino, e não acordaria cedo no dia seguinte. Decidimos que ficaríamos o máximo possível, naquela noite, eu e o preto precisávamos cumprir a aposta que eu citei no 7º parágrafo. Mas antes dela, havia muito tempo pra ficar em vão, então acendemos todos os celulares, em uma rodinha, eu, Felipe, Lucas, Timachi, Rafinha e a Li, passamos a noite conversando. Falamos de falsidade, de escola, de meninas, expomos opiniões, demos risadas, falamos bem e mal, e na simplicidade de tudo isso, esse foi um dos momentos marcantes pra mim. 2:30 da manhã, tinha que ser naquele momento. Todo pessoal já tinha dormido, só nós acordados e ao som de Toxic - Britney Spears, tivemos que dançar de cueca, chupando aqueles pirulitos que sobraram. Não posso entrar em detalhes porque foi combinado, mas naquela noite o Felipe se tornava a putinha preta, e eu o cara da cueca amarela, e da vermelha roubada. Fim daquela noite? Ainda não, Timachi e eu precisamos passar pasta no pessoal, ou não iríamos dormir tranquilos. Depois sim, deitamos, cansados, ouvindo a Eliane roncar, e enfim dormimos.
Mas de novo, logo eu venho com mais emoções, agora não dá ):
Tomamos nosso café, agora acostumados ao ritmo e sem moleza. Como de costume, 8 horas da matina e nós batendo bola no pátio. O primeiro desafio, seria das meninas. As 10 horas, fomos até o ginásio, e vou falar da torcida, que não pode passar em branco nesse texto. Cada ponto, tinha uma vibração única, cada bola na rede, cada balanço de rede, era fazer com que o ginásio parasse. Era gritar com todas as força, nas horas de incentivo, era acreditar que não existiam pessoas dentro e fora de quadra, sabíamos que juntos formávamos uma equipe, sem sexo, idade ou raça. Gritar tanto, deixou metade dos atletas roucos ou até mesmo sem voz, mérito e orgulho do "Canossa".
Júlia, Letícia, Heloísa, Gabi, Letícia Z, Mariana, Marina, Amanda, Bruna e Verena entravam em quadra, descontraídas, talvez para disfarçar um nervosismo. O jogo delas marcou desentendimentos entre o próprio time, mas elas souberam levantar a cabeça, lutar como verdadeiras guerreiras, e ao fim de um apito, levantaram o troféu mais importante, e colocavam o ouro no pescoço. Aplaudimos com o orgulho e o olhos brilhando. Meio dia, Frei Seráfico desafiava o nosso vôlei masculino. Almoçamos, e falando de mim, eu tinha uma segurança gigante, eu esperava a hora de chegar naquele ginásio, de jogar, de comemorar. Entrávamos no ônibus, veículo do Claudião que transportava os guerreiros. Toda vez, eu tinha o meu ritual pessoal. Sentava na janela, ficava olhando o céu, olhando cada árvore, rezando, me concentrando.
Entrar na FUVAE (quadra dos jogos de vôlei), despertou os risinhos da equipe adversária, já que, eles tinham quase 1,90 cm, e o nosso time não passava de 1,70 cm. A primeira vitória deu o incentivo de muita força, e nós confiamos. Meu coração batia forte o tempo todo, mas eu estava feliz. Nesse jogo, me senti confiante fazendo pontos de saque, me sentia forte ao ver os 5 "gigantes" que lutavam comigo. Com toda garra, completamos 2 sets a 0. Retornar ao centro da quadra, cumprimentar os adversários, foi inesquecível. Quem poderia tirar onda com a nossa cara agora ? Fomos avisados, 7 horas do noite, o último desafio: Colégio Modelo de Nova Friburgo - RJ. Aquele jogo trouxe a tona o nosso lema: "il il il, segura o infantil!" Ninguém esquecerá o Rafinha, menor de todos, sacando por cima, fazendo ace, e por estratégia, deixar no chão um bloqueio que dava 3 dele.
Mas o maior desafio desse terceiro dia, (fora os jogos claro, hahaha) foi ter que aguentar Maria Clara e Adriel fazendo as piores piadas, falando as maiores bostas, como por exemplo: Qual dos teletubies é azul ? Como se isso não bastasse, eles nunca mais pararam, literalmente. Irritou demais, porém admito que foi engraçado. (Mesmo assim Adriel neguinho, a Maria é MINHA tá, e da Lú também). Voltamos pro quarto, naquele dia o intestino dos nossos companheiros resolveu danificar a estrutura do alojamento. O Paganotti chupa uma bala, já precisa ir ao banheiro ou poluir o ar, o Bruno não muito bem, resolveu tomar LactoPurga. Adivinhem no que tudo isso resultou ? Os dois únicos vasos sanitários do banheiro de cima interditados! Isso mesmo, tinha um aviso nas duas portas: "Vaso sanitário interditado, favor não usar". O Paganotti tem realmente problemas na parte de higiene. Ficar dois dias com a mesma cueca, tomar banho e colocar a mesma roupa, pra colaborar entupir o banheiro. Boa.
A tarde no alojamento serviu para fazer novas amizades, e reconhecer que existem pessoas com bom caráter. Atravessando o "refeitório", tinha-se uma quadra de vôlei, e ali reencontramos nossos primeiros adversário, o pessoal do Juarez, derrotados por 2X0 no vôlei masculino. Reunimos Canossa e Juarez em times mistos, conversamos, elogiamos uns os outros, debatemos o jogo e os próximos adversários. Conheci pessoas simpáticas. São tais pessoas, que eu trouxe na mala de volta, com uma recordação de carinho. Depois do vôlei, o quarto dos meninos acabava com balas, chicletes e pirulitos que a Li levou. Acreditem, eram muitos doces mesmo! Acho que eu e o Felipes chupamos uns 7 pirulitos por dia (sem malícia tá gente), era papel de bala pra todo lado. Naquela tarde ficamos sem banho, afinal as 7 horas, teríamos nossa final contra o pessoal do Modelo, antes do nosso jogo teríamos Frei Seráfico contra as meninas do vôlei, e depois a semi final do futsal masculino.
Mais uma vez, pisávamos no chão da quadra FUVAE, ao chegar lá, presenciamos o jogo de Palomar X Nazaré. As meninas do Nazaré eram lindas, simpáticas e além de tudo, jogavam porque gostavam. Gritavam feito doidas, ainda nesse dia o grito de guerra que pegou foi: "Abram passagens que o terror chegouu, Nazaré dextruidooorCanossa e Nazaré, contra Frei Seráfico. A torcida do Frei era grande, com um pessoal de 18 anos, mas nós éramos unidos. Outro fato importante, que vocês saberão os detalhes no fim do terceiro dia, foi a aposta. Aposta desgraçada. Sentados eu, Felipe e Timachi, apostamos que se o time fosse campeão, eu e o preto dançaríamos de cueca, na madrugada do nosso quarto, mas essa é outra parte da história... Enquanto isso as meninas estavam em quadra, precisavam ganhar de qualquer jeito. Nós vencemos um set, elas venceram outro. O 1x1 levava ao tae break, e que tae break! O Frei saiu na frente em disparada. 6x2. E adivinhem ? Nós chegamos lá, a disputa ficava ponto a ponto, 11x11, 12x12, 13x13 e foi assim até o 15x15, quando o ponto foi nosso, e a Isa foi pro saque, ela que tem um excelente potencial nesse fundamento, mas vinha errando muito nos jogos. O juiz deu permissão, tenho na memória a expressão dela, quicando a bola, lançando e mandando ela na quadra adversária, ace. Fim de jogo. Lá fora, eu estava tão ansioso quanto elas ali, era uma disputa intensa, que no fim derramou lágrima de orgulho. Pronto, o bronze era delas ! Nesse jogo, eu realmente vi que elas gostavam de jogar, e faziam por amor.Eu vi que elas mereciam muito mais que qualquer outra, vi que elas podiam discutir mas se amavam, cada uma com seu jeito. Elas colocavam no peito, a mais inferior das medalhas, mas ela foi tão intensa que nunca brilhou tanto. Foi lindo!
Lá fora, o nosso time masculino aquecia, ao mesmo tempo encarava os olhares sarristas do pessoal do Modelo, que estava em uma rodinha ao nosso lado. Entramos em quadra, palavras de apoio e incentivo tomavam conta da equipe, a Virgínia reuniu todo mundo e disse que já havíamos enfrentados diversos desafios, aquele era o último, aquela era a hora. Talvez aquele time (fora o nosso, como diz a Adriana) fosse o mais forte, eles já tinham jogadas e esquemas, tinham tática e força ao mesmo tempo, e sabiam usar tudo o que tinham. Isso deu o primeiro set para eles. Eu olhava o pessoal, via desespero, ânimo, coragem, força e tudo que representa a força de vontade. Fomos para o segundo set, era ganhar ou ganhar, afinal nada estava garantido. O time acordou no geral, cada ponto era uma vibração estérica, uma união que eu nunca tinha visto antes. Ponto a ponto, o segundo set era fechado por nós, e para completar o meu estado tenso, viria o terceiro e último set. Voltei ao time, o jogo era até 15, logo no saque conseguimos vantagem, mas nada tirava minha concentração, e nem 6 pontos de vantagem demonstravam que havia algo garantido. Não lembro com exatidão o placar, mas lembro quando fui para o saque, talvez uma das coisas que eu mais goste de fazer, porém, tinha errado alguns nos outros sets. Lembro de ouvir a voz da Maria, bem no fundo, dizendo: Vai Victor, eu te amo! Respirei fundo, fechei os olhos, esperei o apito e fui. Era o 10º ponto do time, e o meu primeiro de saque. Depois dele, fui até os 13, tinha pego auto-confiança e muita felicidade. Erramos, ponto pro Modelo. A vantagem favorecia e muito o nosso time, e o ponto era mais uma vez nosso. 14x8, último saque, Gabriel já estava pronto. Lembro que eu olhei pro chão da quadra, fiquei de cabeça baixa e pensei: "É agora que eu poderei gritar com a consciência limpa." Levantei a cabeça devagar, olhei pra frente e tudo o que eu vi foi a bola caindo. O infantil era ouro ! Toda a energia que eu tinha, ficou fosca, minhas pernas bambas, e de voz rouca, todos faziam esforço pra gritar. Caí no chão, era impossível não se emocionar com os 10 garotos, menores que todos os outros, que mostraram superioridade dentro e fora de quadra. Abracei todo o pessoal que estava lá, apertei bem forte a Maria, e girei com ela no meio da quadra. O Lucas estava emocionado, o Rafinha então, nem se fala. Receber aquele pedaço de metal, pintado de dourado, valia mais que muito dinheiro nesse mundo. Muito mesmo.
Agora vem a parte que mais derramou lágrimas no JERP, mas essas lágrimas eram de tristeza. Agora vem também a Maldita Greice, que eu citei na primeira parte, e disse que na hora certa vocês saberiam quem ela é. Depois do nosso jogo, viria a semi final do futsal masculino. Porém os horários eram muito próximos e havia uma certeza de atraso. Por isso foi avisado a Greice, logo na manhã, que ela modificasse, ou conversasse com o adversário para que nos esperasse. O jogo estava marcado para 20:00 horas. Saímos da FUVAE o mais rápido possível, e chegamos no ginásio 20:45. Desespero total ! Vimos os árbitros sentados, descansando, e a quadra vazia. Ouvimos uma única coisa, que desabou todo mundo: W.O. Pra quem não sabe, derrota por W.O é quando seu time atrasa, excede o tempo e perde a chance de jogar. Olhei no banco, vi o choro mais profundo do Tiaguinho, Bruno, e os que não choravam, ficavam imóveis, ou descontando a raiva na bola. De quem seria a culpa? Onde encontrar uma possível solução? Ela mesmo, Greice. Essa mulher é a coordenadora e responsável pelo JERP. Ela adorava fazer c@**#$ e na hora desaparece. Ela tinha sido avisada e mesmo assim não tomou nenhuma atitude. Fizemos todas as ligações possíveis, e mais tarde Virgínia e Adriana iriam à comissão dos jogos entrar em um acordo. O resto do pessoal iria a pizzaria comemorar o terceiro dia e o campeonato inteiro, já que aquela era a ultima noite de todo mundo junto, ali. O tempo voava, ríamos e ao mesmo tempo morríamos de sono. 41 pessoas na calçada da rua, parando o movimento, com uniforme de jogo, sorriso estampado. Ali, eu ficava vesgo só pra irritar o pessoal, a Li e a Adriana encontraram o cara da farmácia, que vendeu o "remedinho" que elas precisavam, meu pensamento ficava nos momentos que tinha vivido em todos aqueles jogos. Era tarde, voltamos pra nossa casa postiça.
Era o pior horário pra se tomar banho, não por quantidade de pessoas, mas por estado de higiene. O Lucas, tinha posto até pijama, mas insistimos para que ele deixasse de ser o porco da turma. 11:30 da noite, e o time de guerreiros do canossa, tomando banho. Subimos ao quarto, esperando notícias de Virginia e Adriana, sobre a decisão da semi final dos meninos. Mais tarde, elas chegaram, a boa notícia era que eles teriam o jogo, e a má era que ele seria as 8:30 da manhã. Era a última noite, e tínhamos planos de ficar acordado até o dia amanhecer, mas pra eles não dava.
Porém, tinha o pessoal que jogou só vôlei masculino, e não acordaria cedo no dia seguinte. Decidimos que ficaríamos o máximo possível, naquela noite, eu e o preto precisávamos cumprir a aposta que eu citei no 7º parágrafo. Mas antes dela, havia muito tempo pra ficar em vão, então acendemos todos os celulares, em uma rodinha, eu, Felipe, Lucas, Timachi, Rafinha e a Li, passamos a noite conversando. Falamos de falsidade, de escola, de meninas, expomos opiniões, demos risadas, falamos bem e mal, e na simplicidade de tudo isso, esse foi um dos momentos marcantes pra mim. 2:30 da manhã, tinha que ser naquele momento. Todo pessoal já tinha dormido, só nós acordados e ao som de Toxic - Britney Spears, tivemos que dançar de cueca, chupando aqueles pirulitos que sobraram. Não posso entrar em detalhes porque foi combinado, mas naquela noite o Felipe se tornava a putinha preta, e eu o cara da cueca amarela, e da vermelha roubada. Fim daquela noite? Ainda não, Timachi e eu precisamos passar pasta no pessoal, ou não iríamos dormir tranquilos. Depois sim, deitamos, cansados, ouvindo a Eliane roncar, e enfim dormimos.
Mas de novo, logo eu venho com mais emoções, agora não dá ):
2 de nov. de 2010
JERP - 2010 Parte I (ida, primeiro e segundo dia)
Antes de tudo, vou dedicar esse texto as 41 pessoas que junto a mim, formaram 42 loucos que estiveram a bordo de uma "nave espacial" mais louca ainda na cidade dos ets. Vai pra toda equipe do colégio que confiou em nós, aos meus lindos amigos que ficaram aqui, torcendo por nós. Em especial pra Lú linda, que comemorou por pensamento cada vitória. Sem dúvida nenhuma para a Virgínia, que realmente treina os guerreiros. Pra incentivadora da alma, mamãe que adotou 17 meninos naquele quarto Eliane, o Solivan armado e a Tia Dri do intestino preso, a Irmã Antônia que planta bananeira também. Enfim, vai pro conjunto Canossianas, pra todas as famílias, pra todos os soldados dessa luta.
Faltava menos de um mês e tudo começou a dar errado, disseram que não iríamos, ou que metade iria, que seria cancelado. Mas aconteceu, e nós fomos a conhecida terrinha dos habitantes de outro planeta - Varginha -. Antes de tudo, a ansiedade se fez intensa e não existe palavra para definir a sensação de tudo isso. As 5 horas da manhã, do dia 29 de outubro, partia de Araras um ônibus cheio de jovens com o pensamento a milhões. Deixando para trás família e amigos que choravam por quererem estar juntos. A ida foi calma, conversávamos e riamos, os preguiçosos cochilavam junto com os que teriam os primeiros jogos. Fazíamos planos para o momento certo, cantávamos músicas em vão, e nada nos inquietava.
Chegar na manhã do dia 30, no Campus II de uma Universidade que seria um alojamento foi o "Era uma vez" dessa história, que terminará ao fim desse texto. Tenho a imagem dos colchões sendo carregados, da euforia de todos subindo aquela rampa gigantesca até os quartos, a arrumação rápida das camas, a disputa por quem ficaria de frente com a janela, foi tudo tão marcante como se o simples hábito de abrir os olhos fosse inédito. As 11 horas da manhã, veio o primeiro desafio para as meninas do vôlei. Tão nervosas, cansadas, deixaram que o coração falasse mais alto que a habilidade, e o jogo foi perdido. Nesse mesmo dia, o futsal masculino também foi desafiado, e falhou também. A primeira noite tinha desejo de ser agitada, mas atitude pra ser tranquila.
Cansados, fomos para a abertura dos jogos. Marcada para 20:00 e começando as 21:00. Quase dormindo em pé, depois que o som quebrou, e a Greice falava sozinha para 600 pessoas eufóricas (daqui uns parágrafos vocês saberão quem é Greice, a maldita Greice). Depois de muito torcer pra acontecer, a abertura acabou e retornamos para nosso quarto, que abrigava os confortáveis colchões. Era hora de dormir, de agradecer a Deus a oportunidade de estar ali, de rezar para o jogo que teria amanhã, e pedir para que ele iluminasse quem ficou aqui.
O segundo dia reservava grandes emoções. Acordando cedo, com o astral la em cima, e a expectativa era grande. A rotina matutina era quase sempre a mesma, acordar, relembrar do dia anterior, formar uma fila, tomar café e depois bater bola no pátio do alojamento. Jogos para todas as equipes, por isso não consigo contar os detalhes de alguns, já que não podíamos ver e jogar ao mesmo tempo. O dia começou as 10:00, o vôlei feminino entrava em cena contra o Palomar, uma escola com péssima disciplina e reconheço, bons atletas. Novamente perderam, não só por nervosismo, o adversário tinha certa qualidade. Era a nossa vez, voltamos ao alojamento, almoçamos juntos pela segunda vez, e 12:00 a equipe masculina enfrentava o Engenheiro Juarez Wanderley. Chegar na quadra, ver os adversários de 17 e 18 anos, confesso que gelou o estômago. O juiz apitava o inicio da partida, e acredite, nós botamos pra quebrar. Ponto a ponto, fechando o jogo com dois sets a zero. 25x21 e 25x22. Esse jogo dava o ponto de busca para o lugar mais alto do pódio, esse jogo dava aos garotos do interior de São Paulo o incentivo a lutar, gritar, e conseguir vencer os maiores obstáculos. Nesse mesmo dia as duas equipes de futsal também jogaram, e conseguiram a vitória. Não pude acompanhar o jogo, mas sei que foi bonito.
Retornamos mais uma vez ao alojamento (eu sei que essa frase está meio repetitiva, mas preciso falar dessa forma), cansados, tomamos um banho. Ao subir pro quarto, um fato que aconteceria, deixaria uma marca naquele JERP. Tomei meu banho, e deixei minha roupa toda junta, acabei deixando o shorts e a cueca caírem no chão do próprio quarto, quando dei falta peguei o shorts e a cueca acabou "voando" nas mãos da dona Eliane, que segurou e ficou dando risada para minha cara sem que eu percebesse, depois jogou ela em cima da minha mala como se eu não tivesse visto. Ali nascia o apelido de ladra de cuecas, ou Wando 2 ! (Mas atenção, em momento nenhum, isso foi uma atitude de desrespeito hein ! Aos cabeças fechadas, isso não passou de uma brincadeira. Que por sinal gerou risadas até o último dia)
Jantamos, comentamos dos jogos, da força de vontade e começávamos a nos preparar para uma festa, que aconteceria onde estávamos hospedados. A festa apresentava a Banda Elétrica, muito boa por sinal. Fomos até lá, a galera começou a se agitar, Em uma roda, eu ria com a Maria Clara do meu lado, até que resolvemos entrar no meio de todo mundo. Então eu, Timachi, Lucas, Felipe, Rafinha e a Li resolvemos que iríamos aproveitar da melhor forma, nos divertiríamos, já que um pessoal saiu e foi pra baixo no pátio.
Mesmo não estando lá fiquei sabendo que viram um sapo, e até agora fico imaginando o desespero das meninas, em foco a Maria Clara vendo o tal bicho, o bom foi que lá eles fizeram amizade com um pessoal de outra escola. Enquanto isso, lá em cima ao som de Jamil e uma noites, que o Lucas se revelou, extremamente empolgado, cantando tchau, i have to go now. Depois veio Sou praieiro, a música não havia nem começado e junto a mim, o preto começou a fazer a coreografia, o problema é que ficamos feito bobos, no meio de todo mundo, dançando sozinhos. Descíamos até o chão, requebrávamos feito loucos, muito envergonhados, mas não deixávamos de cair no ritmo da música. Nesse mesmo dia, as meninas da sétima deram uma enturmada com a gente. Entraram na nossa roda, Bê, Bruna e Letícia. Ainda lembro dos passos quando "Saia e BicicletinhaBeatrixxxxx, e ela falou: Não, não é Beatriz. Com o som do final do nome dela "reduzindo os s transformados em x". Acabou a festa, e o pessoal que estava comigo ficou sentado mais uns minutos falando mal dos outros, revelando o que pensávamos, retornando ao quarto, no sinal de recolher. Ainda nessa noite, brincamos de mímica no nosso quarto (masculino). Quer dizer, apenas o pessoal que dançou na festa, porque os outros dormiam se preparando para os jogos seguintes. Aquela noite foi mais agitada, com rápidas guerras de travesseiros.
Agora vou falar, um pouco do quarto feminino. As meninas mais lindas desse país, ficaram 3 noites em uma biblioteca. Nesse local rodeado por livros, elas foram dormir 1:30, porque ficaram falando mal de todo mundo, expondo o que cada uma pensa da outra, tiveram que ver o pijama da Irmã Antônia (que eu não vi, mas falaram que é engraçado), tiveram que aguentar a treinadora do Palomar, que ficava ao lado do quarto delas, roncando demaaais. Sofreram também, com o sério problema de gases com o filha da nossa técnica, a Fernanda. Ficaram apavoradas também, ao lembrar das cigarras que jogamos pelo quarto, já que o campus era cheio delas, e por ser hallowen, precisávamos de uma travessura. Naquela biblioteca, o clima estava um pouco tenso, porque a Marina tinha brigado com a Maria Clara por ciúmes, ficou o dia todo sem falar com ela, e uma fazia cara de bosta pra outra. Enfim, são mesmo muitas história. Mas ainda temos mais dois dias pela frente, e a volta pra casa. Até lá.
Beijos de um louco,
Victor
[ CONTINUA ]
Faltava menos de um mês e tudo começou a dar errado, disseram que não iríamos, ou que metade iria, que seria cancelado. Mas aconteceu, e nós fomos a conhecida terrinha dos habitantes de outro planeta - Varginha -. Antes de tudo, a ansiedade se fez intensa e não existe palavra para definir a sensação de tudo isso. As 5 horas da manhã, do dia 29 de outubro, partia de Araras um ônibus cheio de jovens com o pensamento a milhões. Deixando para trás família e amigos que choravam por quererem estar juntos. A ida foi calma, conversávamos e riamos, os preguiçosos cochilavam junto com os que teriam os primeiros jogos. Fazíamos planos para o momento certo, cantávamos músicas em vão, e nada nos inquietava.
Chegar na manhã do dia 30, no Campus II de uma Universidade que seria um alojamento foi o "Era uma vez" dessa história, que terminará ao fim desse texto. Tenho a imagem dos colchões sendo carregados, da euforia de todos subindo aquela rampa gigantesca até os quartos, a arrumação rápida das camas, a disputa por quem ficaria de frente com a janela, foi tudo tão marcante como se o simples hábito de abrir os olhos fosse inédito. As 11 horas da manhã, veio o primeiro desafio para as meninas do vôlei. Tão nervosas, cansadas, deixaram que o coração falasse mais alto que a habilidade, e o jogo foi perdido. Nesse mesmo dia, o futsal masculino também foi desafiado, e falhou também. A primeira noite tinha desejo de ser agitada, mas atitude pra ser tranquila.
Cansados, fomos para a abertura dos jogos. Marcada para 20:00 e começando as 21:00. Quase dormindo em pé, depois que o som quebrou, e a Greice falava sozinha para 600 pessoas eufóricas (daqui uns parágrafos vocês saberão quem é Greice, a maldita Greice). Depois de muito torcer pra acontecer, a abertura acabou e retornamos para nosso quarto, que abrigava os confortáveis colchões. Era hora de dormir, de agradecer a Deus a oportunidade de estar ali, de rezar para o jogo que teria amanhã, e pedir para que ele iluminasse quem ficou aqui.
O segundo dia reservava grandes emoções. Acordando cedo, com o astral la em cima, e a expectativa era grande. A rotina matutina era quase sempre a mesma, acordar, relembrar do dia anterior, formar uma fila, tomar café e depois bater bola no pátio do alojamento. Jogos para todas as equipes, por isso não consigo contar os detalhes de alguns, já que não podíamos ver e jogar ao mesmo tempo. O dia começou as 10:00, o vôlei feminino entrava em cena contra o Palomar, uma escola com péssima disciplina e reconheço, bons atletas. Novamente perderam, não só por nervosismo, o adversário tinha certa qualidade. Era a nossa vez, voltamos ao alojamento, almoçamos juntos pela segunda vez, e 12:00 a equipe masculina enfrentava o Engenheiro Juarez Wanderley. Chegar na quadra, ver os adversários de 17 e 18 anos, confesso que gelou o estômago. O juiz apitava o inicio da partida, e acredite, nós botamos pra quebrar. Ponto a ponto, fechando o jogo com dois sets a zero. 25x21 e 25x22. Esse jogo dava o ponto de busca para o lugar mais alto do pódio, esse jogo dava aos garotos do interior de São Paulo o incentivo a lutar, gritar, e conseguir vencer os maiores obstáculos. Nesse mesmo dia as duas equipes de futsal também jogaram, e conseguiram a vitória. Não pude acompanhar o jogo, mas sei que foi bonito.
Retornamos mais uma vez ao alojamento (eu sei que essa frase está meio repetitiva, mas preciso falar dessa forma), cansados, tomamos um banho. Ao subir pro quarto, um fato que aconteceria, deixaria uma marca naquele JERP. Tomei meu banho, e deixei minha roupa toda junta, acabei deixando o shorts e a cueca caírem no chão do próprio quarto, quando dei falta peguei o shorts e a cueca acabou "voando" nas mãos da dona Eliane, que segurou e ficou dando risada para minha cara sem que eu percebesse, depois jogou ela em cima da minha mala como se eu não tivesse visto. Ali nascia o apelido de ladra de cuecas, ou Wando 2 ! (Mas atenção, em momento nenhum, isso foi uma atitude de desrespeito hein ! Aos cabeças fechadas, isso não passou de uma brincadeira. Que por sinal gerou risadas até o último dia)
Jantamos, comentamos dos jogos, da força de vontade e começávamos a nos preparar para uma festa, que aconteceria onde estávamos hospedados. A festa apresentava a Banda Elétrica, muito boa por sinal. Fomos até lá, a galera começou a se agitar, Em uma roda, eu ria com a Maria Clara do meu lado, até que resolvemos entrar no meio de todo mundo. Então eu, Timachi, Lucas, Felipe, Rafinha e a Li resolvemos que iríamos aproveitar da melhor forma, nos divertiríamos, já que um pessoal saiu e foi pra baixo no pátio.
Mesmo não estando lá fiquei sabendo que viram um sapo, e até agora fico imaginando o desespero das meninas, em foco a Maria Clara vendo o tal bicho, o bom foi que lá eles fizeram amizade com um pessoal de outra escola. Enquanto isso, lá em cima ao som de Jamil e uma noites, que o Lucas se revelou, extremamente empolgado, cantando tchau, i have to go now. Depois veio Sou praieiro, a música não havia nem começado e junto a mim, o preto começou a fazer a coreografia, o problema é que ficamos feito bobos, no meio de todo mundo, dançando sozinhos. Descíamos até o chão, requebrávamos feito loucos, muito envergonhados, mas não deixávamos de cair no ritmo da música. Nesse mesmo dia, as meninas da sétima deram uma enturmada com a gente. Entraram na nossa roda, Bê, Bruna e Letícia. Ainda lembro dos passos quando "Saia e BicicletinhaBeatrixxxxx, e ela falou: Não, não é Beatriz. Com o som do final do nome dela "reduzindo os s transformados em x". Acabou a festa, e o pessoal que estava comigo ficou sentado mais uns minutos falando mal dos outros, revelando o que pensávamos, retornando ao quarto, no sinal de recolher. Ainda nessa noite, brincamos de mímica no nosso quarto (masculino). Quer dizer, apenas o pessoal que dançou na festa, porque os outros dormiam se preparando para os jogos seguintes. Aquela noite foi mais agitada, com rápidas guerras de travesseiros.
Agora vou falar, um pouco do quarto feminino. As meninas mais lindas desse país, ficaram 3 noites em uma biblioteca. Nesse local rodeado por livros, elas foram dormir 1:30, porque ficaram falando mal de todo mundo, expondo o que cada uma pensa da outra, tiveram que ver o pijama da Irmã Antônia (que eu não vi, mas falaram que é engraçado), tiveram que aguentar a treinadora do Palomar, que ficava ao lado do quarto delas, roncando demaaais. Sofreram também, com o sério problema de gases com o filha da nossa técnica, a Fernanda. Ficaram apavoradas também, ao lembrar das cigarras que jogamos pelo quarto, já que o campus era cheio delas, e por ser hallowen, precisávamos de uma travessura. Naquela biblioteca, o clima estava um pouco tenso, porque a Marina tinha brigado com a Maria Clara por ciúmes, ficou o dia todo sem falar com ela, e uma fazia cara de bosta pra outra. Enfim, são mesmo muitas história. Mas ainda temos mais dois dias pela frente, e a volta pra casa. Até lá.
Beijos de um louco,
Victor
[ CONTINUA ]
I Believe in Peace.
Mudei o nome do blog. Deixou de ser victogodoycarpini.blogspot.com e agora se tornou ibelieveinpeace.blogspot.com . Talvez porque eu tenha enjoado um pouco, mas isso tem um bom motivo. Quem sou eu, se antes mesmo de ser eu mesmo, não acredito na paz ? E o que é a paz? O que é acreditar nela? Acredito na minha paz, antes mesmo da paz mundial. Enquanto não estiver bem comigo mesmo, nunca serei capaz de promover algo tão forte no coração do outro. Enquanto não respirar, 24 horas por dia os meu objetivos, eu não os levarei mais adiante. Mas eu cheguei até aqui, fraquejei, pensei em voltar para trás, e entre todos os argumentos que tenho, o mais concreto é que eu acredito na paz. Acredito em mim mesmo
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