18 de dez. de 2012

A cigana.

   Figura deslumbrante que cruzei o olhar. Silenciosa e misteriosa, cuja a'lma parecia gritar. Pés descalços calçados de feridas e a poeira dessa terra, olhos profundos e escuros, trazendo uma postura desconfiada, atenta. Vagava sozinha, não trazia mais nada consigo além do fino vestido bordô sobre o corpo, tão fino, que eu conseguira observar cada curva de seu corpo. 
  Não me movi, nem mesmo tentei nada que pudesse afastá-la. Aos poucos aquela figura tão mística quando  uma mitologia se aproxima. O cabelo era preto e suavemente ondulado que juntamente ao seu traje e ao vento forte, produziam um movimento tênue que se alastrava por todo o corpo, fazendo com que essa parecesse uma sombra, um vulto. Pairando sobre o chão, senti que ela direcionava seu olhar à mim, assim como o meu deveria estar nela. Não consegui desviar. 
  Chegou mais perto, ficamos cara a cara. Questionei o que fazia, e ela sussurrou: "Assumo a condição de vagante neste mundo, assim como toda a humanidade vaga, mas nega até o fim dos tempos". Abaixou sua cabeça, e prosseguiu o caminho. Observei aquele ser até que desaparecesse de minha vista, para nunca mais. 

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